Fomos antecipadamente chamados a
eleições legislativas porque um governo de maioria absoluta, se viu envolvido
numa série de casos e casinhos; com mais de uma dezena de demissões em pouco
mais de um ano, e como se isto ainda não bastasse, viu o seu primeiro-ministro
sentir-se na obrigação de apresentar a sua demissão na sequência de um caso de
polícia, que ocorreu num gabinete contíguo ao seu e onde estava envolvido o seu
melhor amigo e seu homem de confiança!
Todas as forças políticas
viram-se na necessidade de arregimentar forças e ir à luta. O PS foi a directas
com dois dos seus militantes: José Luís Carneiro e Pedro Nuno Santos (PNS). É
preciso referir que era voz corrente que PNS, não era a preferência de António
Costa para dar continuidade ao seu projecto, para além de se ter demitido pelas
broncas que protagonizou enquanto fazia parte do governo. Essas directas foram
ganhas por PNS e os eleitores foram confrontados com o seguinte dilema: se PNS
se demitiu por não ter cumprido as orientações do primeiro-ministro, iria
servir agora como candidato nestas legislativas para alcançar aquele lugar?
Mais ainda, na sequência da demissão de António Costa, este apresentou ao
presidente da república como solução de continuidade e sem necessidade de
eleições, o nome de Mário Centeno e não PNS. É no mínimo difícil de entender! E
quase de certeza que vamos ouvir que a culpa de tal resultado, ou foi do Passos,
ou da comunicação social.
Destas eleições podemos retirar
algumas ilações:
Os portugueses queriam e
manifestaram uma vontade de mudar. Essa mudança consubstanciou-se na
penalização do PS e numa subida objectiva dos outros partidos, nomeadamente o
PSD, a IL, o LIVRE e o CHEGA.
O CHEGA obteve o score que as
projecções iniciais mostravam, mas mesmo assim obteve um resultado histórico e,
pode agradecer isso ao PS, a António Costa, a Augusto Santos Silva e a PNS,
numa repetida intenção de colar este partido ao PSD para o enfraquecer. Pelos
vistos não resultou. Ninguém sabe exactamente o que este partido irá fazer, mas
vamos ter certamente, uma Assembleia da República muito mais ruidosa. André
Ventura conseguiu aquilo que queria. Ou seja, ser indispensável para a formação
de um governo seja ele qual for!
PNS teve durante toda a campanha
fez um percurso errático e reactivo, enquanto Luís Montenegro adoptou um estilo
mais sereno e sem abdicar do rumo que traçou ao longo de toda a campanha. Se
PNS suavizou o discurso vigoroso que o caracteriza, e cedo se apercebeu que
aquilo soava a falso e, rapidamente, reverteu ao seu estilo natural. Nem o
estafado mantra do Passos convenceu os indecisos. E o mote da campanha -
Portugal Inteiro, vindo de quem deixou em cacos tudo onde interveio, não foi
muito feliz. Teve alguma dificuldade em afastar-se do legado de António Costa,
mas referia, frequentemente, que não podíamos “arrastar os pés”, uma crítica
velada a esse mesmo legado.
Os partidos à esquerda, com a
excepção do LIVRE, adoptaram o discurso habitual da cassete e não ofereciam
nada de substancialmente diferente.
Estas legislativas representaram
alguns aspectos dignos de registo especial: no facto dos portugueses não
ficaram indiferentes ao que nos conduziu a este processo eleitoral, e
manifestaram-se massivamente, baixando assim o nível de abstenção. Igualmente
de salientar o facto de muitos jovens terem ido votar, o que também é inédito e
compreensível.
Outro aspecto digno de realce é
que, quer a AD, quer o PS, não conseguem formar um governo com alguma
estabilidade junto do seu espectro ideológico. Isto se, o “não é não” de
Luís Montenegro for para manter. au seja, destas eleições apenas houve um
vencedor, todos os outros ou perderam, ou tiveram um resultado pífio. Mesmo a
AD, que elegeu o maior número de deputados, vai ter muita dificuldade em
governar. Qualquer arranjo te que, forçosamente de contar com o CHEGA, e isso
não é bom.
Segundo diz Joaquim Aguiar: “o
povo tem sempre razão, mesmo quando não sabe a razão que tem” aplica-se que
nem uma luva à situação actual. Ou seja, o povo foi obrigado a ir a eleições e
a forma que teve de fazer sentir o seu desagrado, foi através do voto popular
numa manifesta afirmação de mudança.
Uma nota final, num sistema
democrático, as eleições não servem apenas para eleger os melhores, mas fundamentalmente,
para derrubar os piores. Será que desta vez faz sentido?

Gostei muito do texto.
ResponderEliminarConsidero não percebendo muito de política-que estão todos com medo do Papão.
Não há razão para isso.
A mudança é sempre boa.
Tem 48 lá metidos.
Há que respeitar e esperar.
Deviam-se entender.
Não é bom haver novas eleições lá para a frente.
Era de esperar este desenlace.
O “homem” não come ninguém.
Um abraço Albano