sábado, 29 de junho de 2024

AS CAVALHADAS DE SÃO PEDRO

 

Figura 1- Desfile das Cavalhadas de São Pedro

É voz comum associar-se a profunda religiosidade do povo açoriano a diversos factores: ao isolamento a que a vida de um ilhéu está condicionada, aos fenómenos atmosféricos, à frequente actividade vulcânica, às invasões de corsários e piratas e às necessidades que os primeiros povoadores tiveram de enfrentar para garantir a sua subsistência, numa terra inóspita, isolada e desabitada. Esta religiosidade manifesta-se de diversas formas, sendo que as de maior expressão são o culto do Divino Espírito Santo, a que as Cavalhadas de São Pedro, está intimamente ligada.

AS ORIGENS

De entre as várias manifestações religiosas espalhadas por todo o arquipélago, nenhuma desperta tanta curiosidade como as Cavalhadas de São Pedro[1], quer pela sua excentricidade, quer pelo exotismo associado. A sua origem parece dar aso às mais elaboradas teorias. Entre as várias explicações destacamos.

Há quem sugira que a sua origem se deveu a um rei mouro, que para se afirmar cristão. organizou uma procissão de cavaleiros, usando uma máscara até à igreja de São Pedro da Ribeira Seca.

Outros ainda acreditam que se pretende replicar na figura do rei a representação do Cavaleiro do Céu, quando este em pregação, congregava um multidão de fiéis, para a f+e no Senhor.

Outros ainda afirmam que tudo não passa de recreações de torneios, ou representações teatrais da Idade Média (as folias), como uma mera manifestação religiosa por uma graça recebida.

Aquela que é aceite como a mais provável, está directamente relacionada com uma erupção vulcânica registada em 1563, no Pico do Sapateiro ou Pico Queimado, como agora é conhecido [2]. Não foi somente a lava emanada do vulcão que contribuiu para a origem do Pico do Sapateiro. Foi antes formado a partir de uma série de vulcões que se verificaram a sul da freguesia da Ribeira Seca, de que restam ainda algumas crateras. Na parte  superior dete pico podem assim observar-se quatro pequenas crateras, uma das quais encima este algar, formado durante a erupção vulcânica de 1563.

- Erupção do Pico do Sapateiro. Pintura de Emanuel Carreiro

Reza a história que a lava terá descido pelas encostas até ao mar, passando pelas Ruas de Lagos e Bernardo Manuel da Silveira Estrela. A lava soterrou quase toda a freguesia. No entanto, rodeou a Ermida de São Pedro, deixando a imagem intacta, o que, na altura, foi considerado por muitos como sendo um milagre que terá estado na base deste evento.

Existe ainda outra explicação para justificar esta tradição. Reza que o Governador da Ilha, com residência em Vila Franca do Campo, e por ocasião de uma outra erupção vulcânica, estando a sua esposa grávida prometeu se sobrevivesse, que visitaria anualmente o templo consagrado a São Pedro. Porque o seu palácio tivesse sido poupado, o governador juntou os seus súbditos, os mordomos do Espírito Santo e peões. Partiram em procissão, vestindo as suas melhores roupas e transportando as bandeiras do Espírito Santo, dirigiram-se, em procissão, até à capela de São Pedro, onde proferiu um discurso em verso de agradecimento.

Existem em Portugal outras manifestações com idêntico nome, embora com origens e características diferentes.[3]

O FONTANÁRIO DA RIBEIRA SECA

Deste vulcão que soterrou uma parte da freguesia. Resta como testemunho das escoadas lávicas, o muito conhecido Fontanário da Ribeira Seca. Posto a descoberto na sequência de obras de escavação, este antigo fontanário mostra o seu tanque totalmente preenchido por lava, e dá uma ideia da dimensão daquela catástrofe. Este fontanário tem um grande significado científico e histórico, visto que está ligado às erupções vulcânicas que ocorreram na ilha de São Miguel a seguir aos primeiros tempos do seu povoamento.

2 - O fontanário em frente à actual igreja de São Pedro, na freguesia da Ribeira Seca

É uma ruína de um fontanário construído em pedra aparelhada, parcialmente soterrada pela erupção vulcânica. Está visível a parede onde se localiza a bica e grande parte da bacia de recolha de água.

AS CAVALHADAS

Como já referido, esta é uma das festas mais curiosas dos Açores. As Cavalhadas de São Pedro são uma tradição secular que ocorrem anualmente, no dia 29 de Junho – dia do padroeiro da freguesia da Ribeira Seca, no Concelho da Ribeira Grande. Consta basicamente de um desfile de cavaleiros que percorrem a freguesia, segundo um itinerário e um ritual determinado.

As Cavalhadas de São Pedro, têm uma organização definida por: um Rei[4] ou Maioral, que abre o cortejo, ladeado por dois Lanceiros, Vassalos ou Mordomos[5], seguidos por largas dezenas de Despenseiros, ordenados em duas alas, três Corneteiros no meio do cortejo, e mais dois Lanceiros a encerrar o desfile.

Em tempos idos o Rei e os lanceiros ostentavam pesadas máscaras[6], não se sabendo exactamente a razão para tal.

Aos cavaleiros, vestem calção vermelho, com os seus chapéus altos, enfeitados a rigor com todas as qualidades de ouro ou de flores de papel, montados nos seus cavalos, adornados com faixas e uma lança numa das mãos. Os cavalos devem ir arreados com sela portuguesa, vão adornados com xairéis brancos onde predominam as iniciais SP do padroeiro. A organização do desfile obedece a uma estrutura em que o Rei abre o cortejo (outrora usava uma máscara e longas barbas), vestindo uma capa azul debruada de branco e chapéu de dois bicos ricamente ornamentado com cordões e brincos de ouro, ou de flores de lata, segurando na mão uma espada desembainhada, e ladeado por dois Lanceiros. Seguem depois algumas dezenas de cavaleiros, no meio dos quais seguem os Corneteiros, em número de três, e fecham o cortejo mais dois Lanceiros.

CORTEJO

A concentração para o desfile dá-se no Solar da Mafoma, embora primitivamente era iniciado a partir da Casa dos Mordomos. Daqui os cavaleiros iniciam o cortejo ao som dos cornetins e dirigem-se à igreja de São Pedro, na Ribeira Seca da Ribeira Grande. É junto ao adro da igreja que o Rei e os Lanceiros se apresentam como uma Embaixada ao Apóstolo Pedro e profere o seu discurso antes de, em tempos, fazendo “avançar até o cavalo pôr as patas dianteiras sobre a soleira do guarda-vento.”[7]Neste discurso ao estilo de Gil Vicente agradece ao padroeiro as graças recebidas e os benefícios derramados sobre os cavaleiros ali presentes.[8]

Eu venho à vossa presença

para vos pedir licença

a São Pedro o Pescador

Que receba a nossa embaixada

que trago na mente gravada

a doutrina do Senhor

2 - O Rei proferindo o seu discurso

Findo o discurso, os cavaleiros dão 7 voltas em torno da igreja, que se pensa estar associado aos 7 dons do Espírito Santo[9]. O cortejo dirige-se depois pela rua principal da cidade da Ribeira Grande, até aos Paços do Concelho, onde o Rei discurso em frente do edifício e perante as autoridades municipais. De seguida dão 3 voltas em torno do Jardim, o que se presume ser uma referência objectiva à figura da Santíssima Trindade. De seguida, na Igreja de Nossa da Estrela e na Ermida de Santo André, são repetidas 1 e 3 voltas, respectivamente, ao que se sucede um percurso por todas as ruas da cidade, terminando novamente no Solar da Mafoma, na freguesia da Ribeira Seca.

AS ALÂMPADAS

A coincidência da Festa de São Pedro com o período das colheitas, parecem dar alguma consistência à utilização das “alâmpadas”, como o desejo de um ano de fartura. Segundo João Gil Tavares da Ponte, são suspensos das colunas da igreja de São Pedro, em número de doze[10], um conjunto de frutos (pêros, pêras, ameixas, bananas e ananases) intercalados de flores (hortências e bordões de S. José). Têm um formato alongado, com uma altura aproximada de 50 centímetros, e é arrematado em baixo pelo ananás. Depois da festa religiosa, são transportadas, em carros de bois enfeitados e distribuídas pelo celebrante e autoridades.

A origem do nome não há uma certeza, mas pensa-se que poderá estar relacionado com o termo lampo[11], designação que se dá aos primeiros frutos de uma época agrícola. Pode também estar associado ao seu formato, semelhante a um lampadário.

3 - Alâmpadas

SOLAR DA MAFOMA[12]

Esta casa, embora não tendo capela interna, mas possuindo um espaço construído para essa função, tem anexa ao solar, a Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso possui um retábulo em talha dourada, um frontal do altar em azulejo e uma imagem da sua padroeira. É conhecida por Solar da Mafoma e está classificada como edifício de interesse público. A sua construção data do início do séc. XIX e foi mandada construir por Luís Bernardo da Silveira Estrela, militar e Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, leal a D. Miguel. Na Frontaria existe o Brasão de Armas dos Correias, Silveiras, Botelhos e Sampaios.

Esta casa, pelo papel que representa nas Cavalhadas, e pelas pitorescas referências às divisões de classe existentes à época, vai merecer aqui uma referência mais desenvolvida.

Uma outra versão[13] diz que em tempos aportou em terras próximas um mouro magrebino, escravo de Rui Tavares, que mais tarde foi alforriado[14] pelo seu amo. Este mouro era possuidor de muito saber, nomeadamente no domínio da matemática e da álgebra, e com larga experiência em curtumes e no fabrico de selas e albardas. Converteu-se ao catolicismo, tendo adoptado o nome de Simão Rodrigues, embora fosse conhecido por Mafoma (Maomé), dada a sua origem. Estes conhecimentos, permitiram-lhe granjear enorme popularidade, junto da população e em pouco tempo fez fortuna e ganhou influência política junto da população local. Se o sucesso lhe granjeou fortuna, o mesmo não se podia dizer da sua aceitação social. Até um seu descendente, Lázaro Rodrigues ter adoptado o nome de Estrela por ter sido baptizado na igreja de Nossa Senhora da Estrela – padroeira da Ribeira Grande). Um seu sobrinho Manoel de Sousa Correa Estrela, ganhou grande notoriedade política e social, ao ser promovido a escudeiro e mais tarde cavaleiro fidalgo em 1717, por D. João V. Na sequência, foi nomeado capitão-mor da vila da Ribeira Grande, cargo este tradicionalmente, detido pelos Tavares. Consta que na altura, e por causa disto, os Tavares mandaram os seus criados correrem pela vila e queimarem todas as selas e albardas que encontrassem, lembrando assim aos ribeiragrandenses a vil origem do seu novo capitão-mor.[15]

Este episódio não atemorizou os Estrelas que continuaram a prosperar, a fazer fortuna e a ganhar aceitação e influência social. Alguns anos mais tarde, Luís Bernardo da Silveira Estrela, tenente-coronel do regimento de milícias da Ribeira Grande, tirava brasão de armas em 1806 e construía na Ribeira Seca, a poucos quilómetros do solar do Vencimento, propriedade dos Tavares e de costas para este, o seu solar. Desde essa altura, o solar passou a ser conhecido pelo solar da Mafoma.

O ódio entre estas famílias foi sempre crescendo, alimentado pelas lutas entre liberais e absolutistas. Os Tavares – conservadores, e os Estrelas – progressistas.

Os Estrelas continuaram a prosperar e a ganhar enorme poder e influência. Um descendente do morgado, António Manuel da Silveira Estrela, perdeu-se de amores pela filha de um abastado lavrador (Tavares do Canto descendente de Rui Tavares), do qual foi correspondido. Claro, à luz dos preconceitos da época, e à rivalidade entre famílias, os Tavares do Canto conservadores e absolutistas, enquanto os Estrelas se afirmavam convictamente liberais, este revelava-se como uma amor impossível.

A donzela deu disto conhecimento ao confessor, que informou a família desta pretensão. Porque os amantes se encontravam secretamente no solar, o pai e os irmãos armaram-lhes uma emboscada. Na calada da noite, e pela confusão de um vulto, que julgaram ser o descendente do Mafoma, matam acidentalmente a filha e irmã com um tiro. A partir deste episódio os Tavares mudam-se para a costa sul da ilha Por via disto, o ódio reinante entre estas duas famílias, toma uma outra dimensão ainda mais exacerbada.

Na sequência deste acontecimento, o descendente do mouro caiu em desgraça, e foi ostracizado, principalmente pela aristocracia e autoridades locais, com profundo prejuízo dos negócios e aceitação social. Pela rivalidade entre essas duas famílias. Uma vez cansado de tanta perseguição, reuniu uma série de cavaleiros e junto das autoridades locais fez um discurso muito duro, fazendo valer os seus direitos. Alguns associam este acontecimento, à figura do Rei, e do seu cortejo às Cavalhadas de São Pedro.



4 - Fachada do Solar da Mafoma e respectivo Brasão de Armas

O Solar da Mafoma passou de geração em geração até chegar a Dª Maria Mota (o Solar é também conhecido por "casa da Dª Maria Mota") sendo actualmente pertença de sua filha.

A 29 de Junho de cada ano, Cavaleiros e Cavalos das Cavalhadas de S. Pedro, reúnem-se no pátio da casa, e daí partem em cortejo para a igreja de S. Pedro, na Ribeira Seca da Ribeira Grande, e a ele regressam no final do cortejo.

CONCLUSÃO

Esta peculiar manifestação religiosa de origem muito incerta. Como se pode observar, estamos perante uma série de explicações para a origem desta festa, que se torna difícil deslindar o que são factos históricos devidamente fundamentados, daquilo que é pura imaginação popular. Quer pela ritualização do cortejo, quer ainda pelas inúmeras explicações para a sua origem, revela tanto de profano, de misterioso e de simbolismo religioso e, provavelmente, será nesta dualidade que reside todo o seu encanto. Poderá dizer-se que revela uma associação por sincretismo popular ao Príncipe dos Apóstolos, e ao mesmo tempo rituais trazidos desde o tempo do Povoamento, como é disto exemplo o Culto ao Divino Espírito Santo. Relativamente às Cavalhadas de São Pedro, são muitas dúvidas e incertezas quanto à sua origem, muito mais do que uma verdade histórica, cientificamente corroborada, persiste no imaginário popular muitas outras explicações. No entanto, são um reflexo da religiosidade do povo, expressa no mesmo tempo uma manifestação de fé, que nelas participa por devoção ou em pagamento de uma promessa. É também clara a perfeita ligação das Cavalhadas ao culto do Divino Espírito Santo. Igualmente a lenda associada ao Solar da Mafoma, e das rivalidades entre familiares faz desta festa, uma curiosidade sem paralelo.

Para além disto, as Cavalhadas de São Pedro foram assumidas como uma estratégia identitária do município da Ribeira Grande, através da identificação e justificação do seu feriado municipal com a realização daquele popular cortejo equestre de carácter profano-religioso.

As Cavalhadas foram sofrendo também um sinal dos tempos e começara a revelar algum desleixo por parte dos seus participantes: “falava-se no aviltamento dos trajes, da ausência dos característicos chapéus ornados a ouro e flores artificiais, da desorganização do cortejo e do risco de aquelas desaparecerem se alguma coisa não fosse feita”. Em 1956, desenvolveu-se um processo de municipalização das Cavalhadas com o intuito de a recolocar na sua forma primitiva. Constituiu-se uma comissão de intelectuais e artistas micaelenses que iria, juntamente com o município, repor o evento na sua forma inicial.

Em 1989 é também decidida, por iniciativa da Câmara Municipal, a elaboração de um Regulamento das Cavalhadas, que instituía um conjunto de normas de selecção e atribuição de prémios aos cavaleiros (que se apresentassem vestidos com mais rigor e respeito pela tradição) e estabelecia ao mesmo tempo vários preceitos reguladores.

Em 2021 é criado um núcleo museológico - a Casa das Cavalhadas, com o intuito de perpetuar a secular tradição das Cavalhadas de São Pedro, uma iniciativa do Município da Ribeira Grande.



[1] Segundo o historiador Mário Moura, o verdadeiro nome desta festa deveria serAlvoradas de São Pedro”.

[2] O historiador Gaspar Frutuoso, vivo à data deste episódio vulcânico, refere, a propósito deste algar, que dele brotou “...uma ribeira de fogo pela Ribeira Seca abaixo até chegar ao mar, correndo mansamente como metal derretido...".

[3] Cavalhadas de Valdemoinhos, Cavalhada de Teivas, ambas no Distrito de Viseu. Todas estas realizam-se no mês de Junho. E ainda as Cavalhadas de Vila Fresca de Azeitão.

[4] Há quem veja simbolicamente nesta personagem “O Chaveiro do Céu”. O guardião das portas do céu é também considerado o protector das viúvas e dos agricultores. Segundo um familiar descendente, este Rei, mais não é do que a personagem do mouro argelino convertido ao Cristianismo e o construtor do Solar da Mafoma.

[5] Estes Lanceiros podem ter uma ligação aos Mordomos, que acompanhavam o governador, trazendo consigo as bandeiras do Espírito Santo.

[6]… o rosto do cavaleiro é vendado por densa máscara…” referia em 1883 Joaquim Cândido de Abranches, num pequeno excerto publicada sob o título “Costumes Michaelenses, Alvorada de São Pedro”

[7] Armando Cortes Rodrigues, in Voz do Longe

[8] Dr. José Medeiros Tavares, as Cavalhadas da minha infância – Estrela Oriental publicada no jornal Correio dos Açores

[9] Sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus

[10] Considera-se um simbolismo à fartura aos 12 meses do ano, ou como oferenda aos 12 apóstolos.

[11] Segundo o Dr. Cortes Rodrigues, a origem das alâmpadas estará nas ofertas dos primeiros frutos (lampo) colhidos depois da esterilidade provocada pelo vulcão de 1563.

[12] Antigo termo português pelo qual era conhecido Maomé

[13] Revista INSVLANA vol 64, Raízes, Sacuntala de Miranda, e confirmada por um descendente do Mafoma, Simão Rodrigues

[14] Simão Rodrigues tinha sido obrigado a aceitar, para que lhe fosse concedida alforria, que no decurso dos séculos: que os Estrelas e seus descendentes, ao avistarem um Tavares a preparar-se para montar a cavalo, pusessem um joelho em terra para lhe segurar o estribo.” – Revista INSVLANA – Raízes de Sacuntala de Miranda

[15] In INSVLANA vol 64, Raízes, Sacuntala de Miranda

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