segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

A MAIS DE 1 ANO DE DISTÂNCIA AS PRESIDENCIAIS JÁ MEXEM!

 

Um país que não prima pela sua capacidade de planear o que quer que seja, teima em discutir até à exaustão, e com uma antecedência difícil de entender o tema da próximas Eleições Presidenciais. Foi assim no caso do Orçamento de Estado para 2024, como é a discussão à volta das eleições presidenciais, que só irão ter lugar em Janeiro de 2026! Mais, ainda não se sabe exactamente quem irá concorrer, quais os apoios que terão, e se estão dispostos em aceitar este desafio, particularmente os que aparecem mais bem cotados nas sondagens.

Por outro lado, também existem protocandidatos que, sem anunciar essa intenção, disfarçam muito mal a sua disponibilidade. São os casos de o Almirante Gouveia e Melo, António José Seguro, Augusto Santos Silva, Mário Centeno, Luís Marques Mendes, e mais recentemente Pedro Santana Lopes. Ainda há que levar em conta existência de nomes que são sempre “presidenciáveis”, ou “candidatos naturais”, na óptica dos partidos políticos, ou dos seus militantes. Nomes como António Vitorino, António Guterres, e mesmo António Costa, são disso um exemplo paradigmático.

Ainda existem outros candidatos, oriundos de áreas partidárias de menor expressão eleitoral e que apenas usam esta oportunidade para evidenciar os valores que defendem.

O debate sobre um tema que irá acontecer a uma distância temporal de mais de um ano, atira para um lugar secundário as eleições autárquicas, que irão ter lugar no final de 2025, e que que diz muito mais ao eleitor pela sua proximidade espacial. As televisões e os seus comentadores têm explorado esta temática de forma contínua e repetitiva.

As sondagens, a esta distância temporal, mostram um facto curioso: dão a sua maior expressão a dois candidatos; Almirante Gouveia e Melo e Pedro Passos Coelho. Nenhum deles admitiu essa possibilidade e, pelos vistos, não pretendem fazê-lo proximamente. Também qualquer um deles está afastado do ambiente partidário instituído, e um deles é militar, o que o torna aos olhos de alguns como um candidato maldito. Do outro lado estão os presidenciáveis dos partidos do arco da governação, que vão atirando nomes para cima da mesa. Quase todos eles recebem uma baixa aceitação do eleitorado. Ou seja, os candidatos que recebem maior acolhimento não são escolhas objectivas dos partidos, e nem sabemos se estão disponíveis para se candidatarem. Pelo contrário, todos os que já manifestaram a sua disponibilidade, recebem intenções de votos muito baixa para as suas legítimas aspirações.

Nesta conjuntura, o eleitor parece confiar a sua intenção de votos a alguém que lhe diz alguma coisa (a sua acção no caso das vacinas), mesmo quando se desconhecem o seu pensamento político (Almirante Gouveia e Melo), ou Pedro Passos Coelho pelo seu passado recente num momento particularmente difícil que o país viveu (governou sob a intervenção da Troika). Muita água ainda vai passar por debaixo das pontes até ao dia das presidenciais, e muito ainda vamos ouvir do pensamento dos putativos candidatos. Era bom alguma serenidade no ecossistema comunicacional, até que possamos formar uma opinião sustentada nas intenções dos candidatos para o exercício do cargo. Até lá, qualquer “boca”, além de extemporânea, não é fundamentada no pensamento objectivo de nenhum candidato.

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