Um país que não prima pela sua capacidade
de planear o que quer que seja, teima em discutir até à exaustão, e com uma
antecedência difícil de entender o tema da próximas Eleições Presidenciais. Foi
assim no caso do Orçamento de Estado para 2024, como é a discussão à volta das eleições
presidenciais, que só irão ter lugar em Janeiro de 2026! Mais, ainda não se
sabe exactamente quem irá concorrer, quais os apoios que terão, e se estão dispostos
em aceitar este desafio, particularmente os que aparecem mais bem cotados nas
sondagens.
Por outro lado, também existem
protocandidatos que, sem anunciar essa intenção, disfarçam muito mal a sua disponibilidade.
São os casos de o Almirante Gouveia e Melo, António José Seguro, Augusto Santos
Silva, Mário Centeno, Luís Marques Mendes, e mais recentemente Pedro Santana
Lopes. Ainda há que levar em conta existência de nomes que são sempre “presidenciáveis”,
ou “candidatos naturais”, na óptica dos partidos políticos, ou dos seus
militantes. Nomes como António Vitorino, António Guterres, e mesmo António
Costa, são disso um exemplo paradigmático.
Ainda existem outros candidatos, oriundos
de áreas partidárias de menor expressão eleitoral e que apenas usam esta
oportunidade para evidenciar os valores que defendem.
O debate sobre um tema que irá
acontecer a uma distância temporal de mais de um ano, atira para um lugar
secundário as eleições autárquicas, que irão ter lugar no final de 2025, e que que
diz muito mais ao eleitor pela sua proximidade espacial. As televisões e os
seus comentadores têm explorado esta temática de forma contínua e repetitiva.
As sondagens, a esta distância
temporal, mostram um facto curioso: dão a sua maior expressão a dois candidatos;
Almirante Gouveia e Melo e Pedro Passos Coelho. Nenhum deles admitiu essa
possibilidade e, pelos vistos, não pretendem fazê-lo proximamente. Também
qualquer um deles está afastado do ambiente partidário instituído, e um deles é
militar, o que o torna aos olhos de alguns como um candidato maldito. Do outro
lado estão os presidenciáveis dos partidos do arco da governação, que vão
atirando nomes para cima da mesa. Quase todos eles recebem uma baixa aceitação
do eleitorado. Ou seja, os candidatos que recebem maior acolhimento não são
escolhas objectivas dos partidos, e nem sabemos se estão disponíveis para se
candidatarem. Pelo contrário, todos os que já manifestaram a sua
disponibilidade, recebem intenções de votos muito baixa para as suas legítimas
aspirações.
Nesta conjuntura, o eleitor
parece confiar a sua intenção de votos a alguém que lhe diz alguma coisa (a sua
acção no caso das vacinas), mesmo quando se desconhecem o seu pensamento
político (Almirante Gouveia e Melo), ou Pedro Passos Coelho pelo seu passado
recente num momento particularmente difícil que o país viveu (governou sob a intervenção
da Troika). Muita água ainda vai passar por debaixo das pontes até ao dia das
presidenciais, e muito ainda vamos ouvir do pensamento dos putativos
candidatos. Era bom alguma serenidade no ecossistema comunicacional, até que
possamos formar uma opinião sustentada nas intenções dos candidatos para o
exercício do cargo. Até lá, qualquer “boca”, além de extemporânea, não é fundamentada
no pensamento objectivo de nenhum candidato.
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