“Fazer o mal e a caramunha”,
costuma o povo dizer quando alguém faz alguma coisa que causa prejuízo e depois
queixa-se!
José Sócrates foi sempre alguém que
ao longo da sua vida, teve um comportamento que a sociedade condena – viver muito
acima das suas capacidades, sem que lhe sejam conhecidos proveitos que o
justifiquem. Se isto é condenável a um cidadão comum, quando se trata de um
político democraticamente eleito e, com um cargo de elevada responsabilidade institucional,
torna-se inadmissível.
As suspeitas sobre a sua ligação
a uma série de casos suspeitos, acompanharam todo o seu percurso político,
desde o tempo em que era um simples deputado na Assembleia da República. Só
para enumerar os mais badalados: o aterro sanitário da Cova da Beira, o caso
Freeport, a trapalhada que envolveu a sua Licenciatura, as suas lutas para silenciar
a comunicação social não alinhada, os projectos das casas da Guarda, os casos
Face Oculta e Tagus Park, a sua ligação à Octapharma e ao Grupo BES.
Nunca se coibiu de levar uma vida
sumptuosa, dificilmente acomodável aos rendimentos de um ministro da república.
Da compra a preço de saldo do apartamento da Rua Brancamp, às férias em resort
de luxo; dos fatos de grife, à mansão de Paris, são disto um exemplo elucidativo.
Cada um pode fazer a vida que bem lhe aprouver, mas a sua argumentação para o justificar
são difíceis de aceitar pelo mais benevolente espectador. As suas despesas ou eram
suportadas pelo amigo Santos Silva, ou pela venda dos apartamentos da mãe, ou por
uma hipotética herança de um tio volframista! Admitindo que tudo isto fosse
verdade, será que podemos admitir de quem foi primeiro-ministro de um país
democrático, possa viver às custas de alguém, e que ache isto um comportamento normal
e aceitável?
A contas com a Justiça desde a
altura em que foi detido há 10 anos para justificar alguns dos casos em que há
suspeita do seu envolvimento, José Sócrates nunca procurou aceitar o seu
julgamento como forma de provar a sua verdade. Pelo contrário, tem sistematicamente
usado um verdadeiro carrocel de recursos e incidentes processuais, a maior
parte deles não aceites pela Justiça, por forma a atrasar o julgamento. Também
ninguém compreende como é que alguém a viver à custa de amigos, pode fazer face
às custas judiciais e aos honorários dos advogados.
Até os seus correligionários mais
próximos: António Costa, Augusto Santos Silva, Pedro Silva Pereira, João
Galamba viraram-lhe as costas. Quem não se lembra das romagens à prisão de
Évora? Sintomático! Ou então não têm argumentos para defender este seu
comportamento. Os seja, todos aqueles que lhe eram próximos e, que estavam
distraídos enquanto as coisas aconteciam, acoitaram-se à sombra do poder que
ele lhes garantia, mostram-se agora amnésicos. Resta-lhe o apoio do amigo Lula
da Silva, vá se lá saber porquê?

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