quarta-feira, 5 de março de 2025

A INGENUIDADE DE LUÍS MONTENEGRO (?!)

 Montenegro – Aventar

Não se compreende a atitude do primeiro-ministro de Portugal relativamente à forma como tratou o assunto da empresa que detinha com a esposa e os filhos. Considerando que tenha vendido a sua participação à própria empresa, e sendo casado no regime de comunhão de adquiridos, parece configurar uma perfeita nulidade processual. Ou seja, como jurista tinha obrigação de o saber que este argumento carecia de fundamento jurídico-legal. Sendo assim, podemos ser levados a concluir que o fez de má-fé. Não me parece, considerando a sua longa experiência de causídico, de política e partidária, obrigava-o a ser muito mais cautelosos.

As coisas começaram por ser levantado um problema de conflito de interesses relativamente à Lei dos Solos. Depois soube-se que a empresa actuava no domínio da prestação de serviços na área da Protecção de Dados. Depois quis saber-se quem eram as empresas para as quais a dita empresa prestava serviço. E finalmente quanto eram os valores das avenças que recebia das empresas envolvidas. Foi questionada a compra de dois apartamentos adquiridos pelo primeiro-ministro, pagos à vista, na Rua do Possolo. E como se não bastasse, quer saber-se a razão por que Luís Montenegro está a viver num hotel, porque o apartamento que usava se encontrava em obras(?!). E tudo se referia a uma mera questão de exclusividade, relativamente aos possíveis conflitos de interesse entre o primeiro-ministro com as empresas para quem a SPINUMVIVA prestava serviços.

Acredito que os políticos devem ter uma carreira estabelecida tanto antes, quanto depois de ingressarem na política. A política não pode ser vista, no meu modesto entender, uma carreira profissional. A dinâmica da vida pública nunca se compadece com alguém que se arraste pela vida como um mero funcionário público, no que esta designação tem de mais negativa. Também é verdade que as regras que a democracia impõe barreiras a quem se disponibiliza a prestar serviço público à nação, e ainda bem. Essas regras têm de ser muito claras e objectivas, no que à observação e evolução dos seus património e rendimentos diz respeito. Mas todo este episódio poderia ter sido evitado, se Luís Montenegro, em vez da venda da sua quota à mulher, a tivesse vendido, por um preço simbólico a um amigalhaço, provavelmente nada disto estaria em discussão.

Para além de tudo o mais, existem mecanismos de controlo na administração publica no que a tudo o que referimos diz respeito. A Comissão para a Transparência, A Ministério Público e os Tribunais, são peças fundamentais para a clarificação de um qualquer delito ou infracção.

Pelo contrário, levamos tudo isto para: Moções de Censura, Votos de Confiança, ou intermináveis Comissões Parlamentares de Inquérito, estamos a arrastar os portugueses para um cenário de eleições antecipadas, para uma nova crise e deixando para trás os principais problemas que a todos preocupa: a saúde, a habitação, a educação, a justiça, a segurança, etc. Por tudo isto não consigo perceber nem a posição dos partidos da oposição, nem do governo, e muito menos de luís Montenegro.

Luís Montenegro não é ingénuo. Também não quero acreditar que seja inocente. Penso que tudo se resume a uma grande falta de habilidade para tratar um assunto com todos estes contornos tão delicados, ou uma imprudência. O problema é que irão ser os mesmo a pagar a factura da instabilidade.

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