Tal como se esperava, fomos
empurrados, uma vez mais para eleições! A hipocrisia reina neste rectângulo à beira-mar
plantado! Esta situação tem apenas 3 culpados: os líderes dos dois mais importantes
partidos e o Presidente da República. Os dois primeiros por aquilo que fizeram,
e não deviam ter feito; e o Presidente da República por aquilo que não fez, e
deveria ter feito.
As razões que determinaram a
actual situação devem-se ao facto do primeiro-ministro se ter visto envolvido
num processo que envolvia a sua actividade patrimonial e da sua ligação a
alguns grupos económicos a quem a empresa que detinha com a mulher e filhos
prestava serviços. Aparentemente, não existia nenhum ilícito criminal, mas tão
somente uma trapalhada processual que abalava a sua credibilidade e
confiabilidade, política do ponto de vista ético e moral, requeridos a um
detentor de cargo público.
Ninguém entende que Luís Montenegro,
gozando de uma conjuntura muito favorável e capitalizando a seu favor vários
aspectos que beneficiaram a vida de alguns concidadãos, tenha deitado tudo a
perder por uma gestão desastrosa da crise que ele próprio despoletou.
A responsabilidade destes agentes
políticos ao precipitarem a necessidade de convocar novas eleições é
incompreensível. Tanto mais que, PSD e PS registaram nas últimas eleições
legislativas qualquer coisa como 56% dos votos expressos. As intenções de votos
parecem confirmar que esta realidade não se alterou substancialmente. E ninguém
espera que as próximas eleições irão alterar, significativamente, esta
evidência. Muito provavelmente o espectro da abstenção, vá registar uma subida
considerável. De resto, tudo irá ficar na mesma, e com a criação de um ecossistema
político-partidário onde o CHEGA se sente bem.
Talvez por tudo isto se perceba a
aceitação que a mais que provável candidatura de Gouveia e Melo à Presidência
da República, estará directamente ligada ao facto de ser protagonizada por
alguém fora do espectro partidário.

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