O DOGE - Department of Government
Efficiency, ou Departamento de Eficiência Governamental, foi um organismo criado
pela nova administração americana para fazer face aos gastos que Trump
considera excessivos, inúteis, redundantes ou mesmo incompreensíveis. Para tal
atribuiu esta tarefa a um amigo republicano, não eleito e que é apenas o homem
mais rico do mundo.
Pelo que se vai sabendo, Elon
Musk, é considerado uma espécie de funcionário público especial do
presidente Donald Trump desde o início da sua gestão, depois de ser um dos
principais activistas e financiadores da recta final da campanha republicana.
O DOGE começou à pressa, de forma
atabalhoada e actuou sem um profundo conhecimento do verdadeiro trabalho de
muitas agências governamentais, consideradas dispensáveis. Uma das primeiras a
USAUID – agência humanitária do governo dos Estados Unidos.
Uma das mais comentadas refere
que o site do DOGE, criado à pressa e tem falhas de segurança consideradas
básicas por especialistas. Nesta medida já foram detectadas intromissão de hackers
nos dados da plataforma. Para além disso, alguns funcionários superiores, por
total discordância pediram a demissão. Por outo lado, continua em dúvida o
futuro de centenas de programas de ajuda humanitária e de apoio ao
desenvolvimento, por agora suspensos, com efeitos dramáticos para milhões de
pessoas em todo o mundo.
Vários são os organismos
federais, de justiça e sindicatos que se têm oposto aos intentos de Musk.
Algumas decisões já foram revertidas por absoluta ilegalidade, como é o caso de
um juiz federal decidiu que DOGE, liderado por Elon Musk, não pode ter acesso a
dados pessoais sensíveis, como a Segurança Social e números de contas bancárias
de milhões de norte-americanos.
Tudo isto veio a propósito de uma
notícia que li hoje de manhã de que Musk iria fechar diversas delegações
consulares por todo o mundo, uma das quais, o Consulado Americano em Ponta
Delgada. A ser verdade isto constitui um duro golpe nas ligações dos Açores e à
sua comunidade na diáspora americana (refere-se que serão à volta de 700.000 de
emigrante e seus descendentes directos). Este tema reveste-se de um aspecto
pessoal que me toca profundamente. O meu avô materno foi um orgulhoso funcionário
do Consulado Americano há muito mais de sessenta anos. Alguns amigos também ali
deram o seu contributo, mas sobretudo, serão os imigrantes que verão os seus
problemas agravados com esta decisão. Será que a necessidade de encerrar algo
que durante uma vida inteira fez sentido para a administração americana e para
os nossos imigrantes, apenas por razões de contenção orçamental para o país
mais rico do mundo, não me parece! Mas vamos ter que nos adaptar a uma nova
ordem mundial, e ela não traz nada de bom.

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