sexta-feira, 7 de março de 2025

AS DECISÕES DO “DOGE”

O DOGE - Department of Government Efficiency, ou Departamento de Eficiência Governamental, foi um organismo criado pela nova administração americana para fazer face aos gastos que Trump considera excessivos, inúteis, redundantes ou mesmo incompreensíveis. Para tal atribuiu esta tarefa a um amigo republicano, não eleito e que é apenas o homem mais rico do mundo.

Pelo que se vai sabendo, Elon Musk, é considerado uma espécie de funcionário público especial do presidente Donald Trump desde o início da sua gestão, depois de ser um dos principais activistas e financiadores da recta final da campanha republicana.

O DOGE começou à pressa, de forma atabalhoada e actuou sem um profundo conhecimento do verdadeiro trabalho de muitas agências governamentais, consideradas dispensáveis. Uma das primeiras a USAUID – agência humanitária do governo dos Estados Unidos.

Uma das mais comentadas refere que o site do DOGE, criado à pressa e tem falhas de segurança consideradas básicas por especialistas. Nesta medida já foram detectadas intromissão de hackers nos dados da plataforma. Para além disso, alguns funcionários superiores, por total discordância pediram a demissão. Por outo lado, continua em dúvida o futuro de centenas de programas de ajuda humanitária e de apoio ao desenvolvimento, por agora suspensos, com efeitos dramáticos para milhões de pessoas em todo o mundo.

Vários são os organismos federais, de justiça e sindicatos que se têm oposto aos intentos de Musk. Algumas decisões já foram revertidas por absoluta ilegalidade, como é o caso de um juiz federal decidiu que DOGE, liderado por Elon Musk, não pode ter acesso a dados pessoais sensíveis, como a Segurança Social e números de contas bancárias de milhões de norte-americanos.

Tudo isto veio a propósito de uma notícia que li hoje de manhã de que Musk iria fechar diversas delegações consulares por todo o mundo, uma das quais, o Consulado Americano em Ponta Delgada. A ser verdade isto constitui um duro golpe nas ligações dos Açores e à sua comunidade na diáspora americana (refere-se que serão à volta de 700.000 de emigrante e seus descendentes directos). Este tema reveste-se de um aspecto pessoal que me toca profundamente. O meu avô materno foi um orgulhoso funcionário do Consulado Americano há muito mais de sessenta anos. Alguns amigos também ali deram o seu contributo, mas sobretudo, serão os imigrantes que verão os seus problemas agravados com esta decisão. Será que a necessidade de encerrar algo que durante uma vida inteira fez sentido para a administração americana e para os nossos imigrantes, apenas por razões de contenção orçamental para o país mais rico do mundo, não me parece! Mas vamos ter que nos adaptar a uma nova ordem mundial, e ela não traz nada de bom.

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