Este assunto é demasiado sério para ser tratado com muita paixão e alguma ligeireza, como se tem observado! Esta discussão é demasiado séria para ser tratada de forma superficial e, em desrespeito pela forma como cada um de nós faz a sua avaliação. Avaliação esta que depende, naturalmente, na forma como enfrentamos a vida e, por maioria de razão, a morte. A tomada de decisão sobre tão polémico assunto, assenta em valores morais, religiosos e de consciência. Portanto o problema é sério demais para ser remetido a um mero e informal debate político. Ver defender o direito à eutanásia a pessoas que, no dia a dia são acérrimos defensores do direito à vida, é ainda mais obtuso.
Se ninguém pode decidir sobre a maneira e condições como nasce, por oposição, podemos e devemos ter uma palavra a dizer sobre a forma como vivemos e, como queremos passar o resto dos nossos dias. Na minha visão deste tema, não me parece aceitável que alguém a quem não restem dúvidas quanto a irreversibilidade do seu estado clínico, seja mantida a vida artificialmente, se isso for contra a sua vontade expressa. Ou seja, aqueles que, no pleno domínio de todas as suas faculdades mentais, expressarem os limites que querem ver respeitados para um fim de vida com a dignidade que o próprio entenda razoável.
Se a decisão da interrupção voluntária da gravide é, do meu ponto de vista inaceitável, uma vez que esta podia ser aplicada naquelas situações extremas, que punham em causa a vida do feto ou da mãe. Se os defensores da IVG reclamam: “ofensa aos direitos das mulheres”, bem como “uma ofensa ao progresso e aos direitos humanos”, são argumentos que apenas se aplicam à vontade da mãe, sem qualquer respeito pela dignidade do feto, ou embrião e da vida a que teria direito. No caso da eutanásia, não se trata de decidir sobre a vida de um ser sem vontade ou capacidade de decisão, mas apenas sobre a forma como cada um quer ver terminados os seus dias e, caucionado por uma decisão voluntária e tomada de plena consciência.
Por tudo isto, o tema em debate remete-nos para um problema de consciência. Alguns entendem válido e outros condenam. Estas tomadas de posição estão alicerçadas e influenciadas por inúmeras razões: de educação, valores morais, éticos, culturais, filosóficos, religiosos e muitos mais. Não se pode defender qualquer uma das posições (contra e/ou a favor), considerando que, a minha é mais válida e séria do que a do outro. Muito pior ainda, quando se defende que a eutanásia ser uma visão progressista dos direitos do ser humano.
Sendo o referendo a forma suprema de decisão democrática, não vejo quais as reservas que muitos dos actores deste processo parecem recear! A pergunta a ser feita deve ser objectiva e transparente para que possamos (a maioria) aceitar ou rejeitar esta pretensão. Tratando-se de um assunto que é transversal a toda a sociedade, não me parece aceitável que duas centenas de “representantes” do povo, decidam contra a sua vontade, qualquer que ela seja. O “Testamento Vital” (Link) é uma forma objectiva e clara que cada um pode, voluntariamente, expressar da maneira como pretende terminar os seus dias e, definir os limites que quer ver respeitados. Eu já fiz o meu.
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