terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O LODAÇAL E O PODER DO FUTEBOL EM PORTUGAL

O desporto enquanto actividade lúdica tem, ou devia ter um papel primordial no desenvolvimento físico, contribuir para a manutenção ou melhoria as habilidades físicas, proporcionando diversão aos participantes e, em alguns casos, entretenimento para os espectadores. Mens sana in corpore sano - corporiza este preceito, contribuindo como o único caminho de uma vida tranquila que passa por alcançar a virtude.

Em Portugal, e no caso do futebol em particular, não é isso que se observa. Se tentarmos juntar as peças e procurar identificar de que lado está a responsabilidade, não custa muito a admitir que:

· As atitudes e intervenções incendiárias dos principais dirigentes desportivos, que nada fazem para debelar os inúmeros casos de violência gratuita. Os muitos e muitos casos de corrupção investigados, invariavelmente, terminam sem qualquer condenação (as escutas não servem de prova);

· O poder e a impunidade das claques, que permitem no seu interior, gente que prima por actuações violentas, tendenciosas, subversivas, terroristas, fascizantes, para enumerar apenas algumas. Gente que tem de ser conduzida como gado “enjaulado” de, e para os estádios, e que deixam um rasto de violência e destruição por onde passam;

· Os média, pressionados pelas audiências, dedicam e alimentam muitas horas a análises, que pouco têm a ver com o desporto em si, mas debatendo (em ambiente de taberna) os inúmeros casos, reais ou inventados e que, em nada contribuem para a pacificação deste desporto;

· As arbitragens e a sua aparente falta de isenção, junto do poder desportivo, leia-se dirigentes:

· A Federação e a Liga que, apesar de algumas bem-intencionadas palavras de circunstância, pouco ou nada têm feito no domínio disciplinar de modo a irraicar este flagelo;

· A tutela que tem revelado uma total desresponsabilização e apatia pelos inúmeros casos registados (o caso Marega, as tochas, a invasão da academia de Alcochete, ameaças concretas a árbitros, jogadores e demais agentes desportivos, etc.). As suspeitas de grande subserviência do poder político ao mundo do futebol, deveria envergonhar estes dirigentes. Esperava-se mais. Muito mais. O Estado, através da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto e o Ministério da Administração Interna que, invariavelmente, debitam um conjunto de clichés sem qualquer resultado prático, até agora nada fizeram digno de relevo.

O caso Marega, apesar de não ser inédito, caiu como uma bomba pelo simples facto de o jogador se ter recusado a permanecer em campo naquelas condições. Pena é que o árbitro, não tivesse de imediato assumido as suas responsabilidades e terminado o jogo. Também foi pena que os restantes jogadores, de uma e outra equipa, não se tivessem solidarizado com o colega e, todos juntos, abandonassem o campo.

Vamos aguardar que as autoridades façam o seu papel, sem qualquer tipo de comiseração por estes energúmenos. Aparentemente não parece ser difícil a sua identificação e a proibição de entrarem em qualquer estádio, de forma definitiva. Assim queiram os dirigentes vimaranenses no apoio ao trabalho da investigação em curso.

O ambiente que se vive no mundo do futebol remete-nos para uma dúvida civilizacional: será que não conseguimos fazer do futebol, e dos seus intervenientes gente de bem? Assistir a um acto desportivo deveria representar um local de encontro, de fruição e de partilha das emoções que o desporto tem a capacidade de proporcionar. Um local onde os espectadores pudessem, sem receio assistir com as famílias e amigos a um espectáculo que deveria ser de elevação e de prazer. É pena.

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