sábado, 1 de fevereiro de 2020

O FACEBOOK COM ELEVAÇÃO


Aderi ao Facebook há já alguns anos. Sou um assíduo utilizador desta rede social, por entender que vivemos tempos novos e comunicamos hoje, de uma forma completamente diferente. Na minha utilização diária, preservo a minha privacidade ao máximo, mas não me excluo de dar a minha opinião no exercício de uma cidadania plena e consciente. Quando o faço, tento usar uma linguagem correcta e pêlos princípios da boa e leal convivência, assente nos valores que me foram transmitidos e, na medida do possível, alicerçada em dados factuais.
Como cidadão, muitas vezes sou confrontado com notícias ou acontecimentos que me merecem a minha concordância ou repulsa. Verifico que, acontece o mesmo com muitos dos meus amigos facebookianos. No meu modesto entender, esta é talvez, a forma mais aprazível e mais digna de utilização deste novo meio de comunicar - reflectir as diversas sensibilidades à volta de um determinado assunto, no respeito das mais elevadas regras de vida em sociedade. Sabemos que muita gente usa o FB, com finalidades menos nobres, nomeadamente para exercício de algum voyeurismo. Ou a difusão de ideias inaceitáveis numa sociedade livre e democrática. Para estes temos uma boa solução, basta bloqueá-los. Existem outros, que exaustivamente usam o FB e, para além de uma grande dificuldade de aceitar o contraditório, utilizam uma linguagem baixa e por vezes mesmo insultuosa. O discurso parece obedecer a um padrão, habitualmente, põe de um lado a verdade, os bons princípios e uma moral de sentido único. Alternativamente, do outro lado, estão os outros: os mentecaptos, os incapazes, os iletrados, ou ainda, os extremistas, os populistas, uma imprensa alinhada e servil, apenas para ser politicamente correcto.
Considerar infelizes, por exemplo, as declarações da ministra da saúde: “É preciso enterrar os mortos, cuidar dos vivos e encerrar os portos.” levanta uma onda de indignação generalizada. Dizer que Isabel dos Santos é corrupta, é (agora) perfeitamente aceite; dizer o mesmo de José Sócrates obtém-se, invariavelmente, epítetos do mais baixo e soez que se possa imaginar. Se é uma partilha de um jornal, trata-se de um pasquim ao serviço de interesses obscuros; se é um jornalista, é um incapaz, ou vendido. Frequentemente os adjectivos utilizados roçam o básico e ordinário. Ou seja, quem pensa pela sua cabeça e. apesar disso, discorda das opiniões emitidas é, a maior parte das vezes, insultado ou apelidado de reaccionário.
Esta forma de estar e participar numa rede social não faz o meu género. Por isso, vou reduzir a minha acção nesta participação, ou pelo menos, orientar essa participação num outro sentido. Isto não significa que, perante algum post que me desperte algum sentimento de discordância, eu não o faça.
As redes sociais e, em particular o Facebook, reflecte aquilo que qualquer um de nós representa como cidadão, com todos os seus defeitos e qualidades. O pior é quando aqueles que a coberto da distância e, pela segurança de não haver uma confrontação olhos nos olhos, insultam, menosprezam, espezinham, caluniam, todos quantos têm a “ousadia” de perfilhar uma opinião diferente. Para isso não contem comigo.

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