Aderi ao Facebook há já alguns
anos. Sou um assíduo utilizador desta rede social, por entender que vivemos
tempos novos e comunicamos hoje, de uma forma completamente diferente. Na minha
utilização diária, preservo a minha privacidade ao máximo, mas não me excluo de
dar a minha opinião no exercício de uma cidadania plena e consciente. Quando o faço,
tento usar uma linguagem correcta e pêlos princípios da boa e leal convivência,
assente nos valores que me foram transmitidos e, na medida do possível, alicerçada
em dados factuais.
Como cidadão, muitas vezes sou
confrontado com notícias ou acontecimentos que me merecem a minha concordância ou
repulsa. Verifico que, acontece o mesmo com muitos dos meus amigos facebookianos.
No meu modesto entender, esta é talvez, a forma mais aprazível e mais digna de utilização
deste novo meio de comunicar - reflectir as diversas sensibilidades à volta de
um determinado assunto, no respeito das mais elevadas regras de vida em
sociedade. Sabemos que muita gente usa o FB, com finalidades menos nobres,
nomeadamente para exercício de algum voyeurismo. Ou a difusão de ideias
inaceitáveis numa sociedade livre e democrática. Para estes temos uma boa solução,
basta bloqueá-los. Existem outros, que exaustivamente usam o FB e, para além de
uma grande dificuldade de aceitar o contraditório, utilizam uma linguagem baixa
e por vezes mesmo insultuosa. O discurso parece obedecer a um padrão,
habitualmente, põe de um lado a verdade, os bons princípios e uma moral de
sentido único. Alternativamente, do outro lado, estão os outros: os
mentecaptos, os incapazes, os iletrados, ou ainda, os extremistas, os
populistas, uma imprensa alinhada e servil, apenas para ser politicamente
correcto.
Considerar infelizes, por
exemplo, as declarações da ministra da saúde: “É preciso enterrar os
mortos, cuidar dos vivos e encerrar os portos.” levanta uma onda de indignação
generalizada. Dizer que Isabel dos Santos é corrupta, é (agora) perfeitamente
aceite; dizer o mesmo de José Sócrates obtém-se, invariavelmente,
epítetos do mais baixo e soez que se possa imaginar. Se é uma partilha de
um jornal, trata-se de um pasquim ao serviço de interesses obscuros; se é um jornalista,
é um incapaz, ou vendido. Frequentemente os adjectivos utilizados roçam o básico
e ordinário. Ou seja, quem pensa pela sua cabeça e. apesar disso, discorda das
opiniões emitidas é, a maior parte das vezes, insultado ou apelidado de
reaccionário.
Esta forma de estar e participar
numa rede social não faz o meu género. Por isso, vou reduzir a minha acção
nesta participação, ou pelo menos, orientar essa participação num outro sentido.
Isto não significa que, perante algum post que me desperte algum
sentimento de discordância, eu não o faça.
As redes sociais e, em particular
o Facebook, reflecte aquilo que qualquer um de nós representa como cidadão, com
todos os seus defeitos e qualidades. O pior é quando aqueles que a coberto da
distância e, pela segurança de não haver uma confrontação olhos nos olhos,
insultam, menosprezam, espezinham, caluniam, todos quantos têm a “ousadia” de
perfilhar uma opinião diferente. Para isso não contem comigo.
Sem comentários:
Enviar um comentário