A Universidade da Terceira Idade
de Santarém, por iniciativa da sua turma de Cordofones, realizou uma viagem a
Braga para visitar duas empresas familiares, que se dedicam à arte de Luthier (que
me perdoem os puristas).
A visita permitiu-nos observar
duas realidades distintas. Uma fábrica moderna, propriedade de senhor António
Pinto Carvalho, com uma implantação internacional e com uma componente manual
considerável, mas organizada numa perspectiva meramente industrial. Por outro
lado, visitamos também um Museu dos Cordofones, propriedade do senhor Domingos
Machado e a sua oficina de produção de instrumentos musicais portugueses.
Foi uma visita imersiva, conforme
se diz agora, nesse mundo fascinante nos mais conhecidos instrumentos de corda
portugueses. Os alunos da disciplina puderam observar os métodos de trabalho, os
processos de fabrico, os materiais utilizados e as várias fases da construção de
um instrumento.
A minha participação nesta visita
resumiu-se, fundamentalmente, à curiosidade deste mundo de como as coisas se fazem.
Não está nos meus horizontes vir a tocar um instrumento de corda, como muitos
dos colegas que nos acompanharam. Mas tão somente a curiosidade de ver como se
trabalha com profissionalismo e dedicação.
Se os métodos de trabalho numa área que desconhecemos poderão resumir-se a uma simples observação, já o mesmo não se pode dizer dos dois personagens que deram corpo às duas empresas referidas inicialmente. Foi-nos referido que têm uma relação de parentesco próxima.
Talvez por isso, possa aqui
residir a parte mais interessante da visita, pelo menos sob um prisma de um
absoluto leigo na matéria. Refiro-me como à forma apaixonada, como encaram esse
mundo da construção de cordofones. O seu profissionalismo é inquestionável, mas
a forma entusiástica como partilharam o seu saber, a sua dedicação e o seu
conhecimento sobre a matéria foi uma experiência para lembrar para sempre.
Como se tudo ainda não bastasse para
garantir o êxito da viagem, visitamos uma cidade a fervilhar de vida, que muito
nos fez reflectir sobre a pasmaceira que se vive em Santarém! De salientar o
espírito, a alegria e a camaradagem que imperou em toda a viagem. Nada poderia
ter sido mais importante. Foi ouro sobre azul.


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