domingo, 18 de maio de 2025

COMO EU VI AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2025

 

Os portugueses foram chamados, uma vez mais, às urnas por puro capricho dos líderes dos dois principais partidos políticos. Todo o ruído criado à volta dos negócios de Luís Montenegro e das suspeitas de favorecimento partidário e tráfico de influências, parece não ter despertado nos eleitores o mesmo tipo de desconfiança. Pode-se dizer que estes assuntos deveriam merecer um protesto vigoroso, mas parece que não foi isso que preocupou os eleitores.

Mas estas eleições parecem mostrar algumas observações curiosas: uma baixa nos valores da abstenção, o que é sempre uma boa notícia; um aumento significativo da votação jovem (aparentemente nos partidos de direita); reconhecer que o caso SPINUNVIVA, foi desvalorizado pelos portugueses; o trambolhão dos partidos da extrema-esquerda; o aumento da votação na AD; a considerável queda do PS e a grande vitória do CHEGA.

O grande vitorioso é a AD e, muito em particular Luís Montenegro, que arriscou uma moção de confiança, apesar da forma desastrosa como geriu os problemas dos seus negócios. Mas há que reconhecer que a AD foi, de facto o grande vencedor. Ou seja, a AD subiu a sua votação, a ponto de sozinha ter mais votos e mais mandatos que toda a esquerda unida. Ou seja, não tem necessidade de estabelecer nenhum acordo com a IL, embora penso que a nível parlamentar deveriam ser estabelecidos entendimentos pontuais.

Outro grande vendedor na noite foi, sem margem para dúvidas, o CHEGA. As razões que justifiquem esta vitória podem ser equacionadas especulando no mote da campanha – o problema da emigração e os achaques de Ventura que foram vergonhosamente explorados. Pelos vistos, estes dois aspectos parecem não ter incomodado os seus apoiantes. Resta fazer uma reflexão sobre o resultado do CHEGA. Considerando que a AD e a IL subiram a sua votação, somos levados a concluir que os resultados do CHEGA, foram conseguidos nos eleitores de esquerda. O Sul e Interior são disso um caso exemplar.

O grande derrotado da noite foi o PS. Antes demais é preciso não esquecer que António Costa deixou o partido em frangalhos, mesmo gozando de uma confortável maioria absoluta. Pirou-se para Bruxelas. Trocou o partido por um cargo europeu, muito apetitoso e bem remunerado. A responsabilidade deste descalabro do PS deve-se à aposta num “cavalo errado” – Pedro Nuno Santos. Pedro Nuno Santos apesar de ter na mão a estrutura do partido, não foi capaz de perder a sua arrogância, a sua infantilidade e o modo desastroso como exerceu a sua liderança. Recorde-se que o PS escolheu para líder, alguém que se tinha demitido do governo, por indecente e má figura. É preciso reconhecer que encontrou o partido abalado pelo tombo nas anteriores legislativas. Apesar de ter feito um esforço de moderação na sua postura, facilmente se percebia que aquele não era o seu registo. Tudo parece indicar que o papão que usou durante toda a campanha – o perigo do país ser governado por um liberalismo feroz, não parece ter colhido junto dos eleitores.

Todos os partidos à esquerda do PS, tornaram-se irrelevantes, face à correlação de forças. E isto deve dar que pensar, o porquê desta modificação em pouco mais de dois anos. Excepção feita ao LIVRE, que apesar do seu crescimento, não deixa de corporizar uma certa “esquerda caviar”, e o mais moderado dos radicais de esquerda.

A alteração estrutural do bipartidarismo com o aparecimento do CHEGA, ao eleger 50 deputados em 2024, não mereceu dos partidos do dito “arco da governação” a devida atenção. Os resultados aí estão.

Pedro Nuno Santos está profundamente fragilizado, e a sua continuidade à frente do partido ficou seriamente abalada. Ao PS não lhe basta agora lamber as feridas. É bom não esquecer que vamos ter eleições autárquicas em Setembro. E uma derrota clamorosa nas autárquicas poderá ser devastadora. Os resultados de CDU, BE e PAN devem servir de aviso ao PS para repensar a sua estratégia, no que ao seu posicionamento ideológico diz respeito. É bom não esquecer que o PS ainda não escolheu o seu candidato às presidenciais de 2026. E os putativos candidatos poderão repensar a sua posição, face à esta derrota. Em suma, Pedro Nuno Santos tem poucas condições para continuar na liderança. Se o fizer, corre o risco de tornar o PS num partido marginal, e isso não era bom para a democracia. Com a demissão de Pedro Nuno Santos, José Luís Carneiro parece ser o mais desejado. Vai encontrar o partido feito em cacos e, a ser ele o escolhido, vai ter um trabalho hercúleo pela frente, e o tempo escasseia. A opção poderá ser outra. Vamos aguardar.

Luís Montenegro tem um horizonte de pelo menos um ano de uma governação confortável. Resta saber se o “não é não” é para manter, a outra alternativa é que tipo de entendimento estará disposto a fazer com a IL. O PS pelo seu lado, vai certamente reavaliar a sua posição quando tiver de viabilizar qualquer iniciativa parlamentar, sob pena de dar todo o protagonismo ao CHEGA. Felizmente que o CHEGA, apenas conseguiu ocupar o terceiro lugar. O segundo lugar do PS, obteve uma escassa margem sobre o CHEGA nos votos expressos. Mas o PS, deve ter aprendido a lição das consequências das votações ao lado deste partido. Neste contexto, penso que o PS, vai muito provavelmente, ter uma atitude muito mais moderada.

Uma palavra final para os eleitores. Ninguém sabe as motivações que cada um optou para dar sentido ao seu voto. Estabilidade e governabilidade, serão provavelmente as mais prováveis.

 

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