No rescaldo destas eleições temos
todos de parar para pensar um pouco sobre as causas que determinaram os
resultados que ninguém esperava. As sondagens apontavam a um expectável
crescimento do PSD, e genericamente apresentavam valores que oscilavam ora para
o lado da AD, ora para o lado do PS. Os “comentadeiros” de maneira geral, assumia-se um decréscimo da
esquerda, mas nunca com a extensão verificada. No que diz respeito ao CHEGA, os
ditos “comentadeiros” desvalorizaram sempre a relação deste partido com o
eleitorado. Era referido que o caso das malas, da pedofilia e a pouca qualidade
dos seus parlamentares, dava como garantido que o seu crescimento estaria
condenado, ou pelo menos não assustaria muito.
Penso que de uma maneira geral
faz-se uma avaliação errada sobre quem suporta o CHEGA. Naturalmente que 1,3
milhões de votos expressos, não são dos saudosos de 24 de Abril, e muito menos
de Salazar. Pela análise que faço deste fenómeno, estou convencido que estes
serão uma minoria. Pelo contrário, os votantes do CHEGA são mais jovens, com
melhores qualificações, sem uma esperança num futuro risonho, que se reconhecem
nos slogans de Ventura, uma resposta às suas preocupações. O CHEGA
também é um partido muito mais de casos, do que de ideologias. Conseguiu a sua
maior implantação no país do interior, no Sul e Alentejo profundo (terreno
comunista desde sempre), e um pouco por todo o lado. As grandes bandeiras do
CHEGA foram sempre: a corrupção, os emigrantes, os ciganos. São temas de que
todos falam e comentam, mas onde há um pudor enorme de o discutir nos média!
Também é bom não esquecer o
passado recente e lembrar dois protagonistas que brincaram com o fenómeno
Ventura, sem medir as verdadeiras consequências. Estou a referir-me a António
Costa e a Augusto Santos Silva. Os dois tudo fizeram para comprometer o PSD com
uma provável ligação com O CHEGA, e condicionaram Luís Montenegro ao seu “não é
não”!
A copiosa derrota do PS nestas
legislativas, tem em meu fraco entender dois responsáveis: um António Costa que
deixou o partido em cacos, para depois correr para Bruxelas para assumir um cargo
doirado; e o outro, Pedro Nuno Santos que foi, como se pode ver, uma aposta no
cavalo errado. Aliás, a tradição mostra que o PS só ganhou quando se posicionou
ao centro, A única excepção foi a formação da geringonça, que foi inventada,
para salvar o futuro político de António Costa.
Com a mais provável conquista do
segundo maior partido da oposição, resta saber como é que os partidos,
particularmente o PSD e o PS, vão lidar com esta nova realidade. Por quanto
tempo mais, vai ser possível continuar a menorizar este partido? Há quem
antecipe que o CHEGA vai fatalmente ter de se moderar. Há quem anteveja que
Ventura se irá converter numa Meloni à portuguesa; e outros que apontam que os
resultados obtidos lhe darão a força para se transformar num Salvini. Uma coisa
é certa, o CHEGA transformou-se num Elefante na Sala, que já ninguém pode
ignorar.
Por outro lado, Luís Montenegro
não conseguiu a tal maioria absoluta que tanto almejava. Por isso, o PS vai
desempenhar um papel fundamental, se quiser moderar-se a viabilizar algumas
propostas do governo, sob pena de caminhar irremediavelmente para se tornar
irrelevante. Basta observar o que aconteceu com o BE e a CDU, que não sendo a
mesma coisa, pode representar o sinal de aviso. Neste caso o futuro estará na
forma de como estes partidos irão lidar com esta nova realidade.

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