terça-feira, 20 de maio de 2025

UM ELEFANTE NA SALA CHAMADO CHEGA

 

No rescaldo destas eleições temos todos de parar para pensar um pouco sobre as causas que determinaram os resultados que ninguém esperava. As sondagens apontavam a um expectável crescimento do PSD, e genericamente apresentavam valores que oscilavam ora para o lado da AD, ora para o lado do PS. Os “comentadeiros”  de maneira geral, assumia-se um decréscimo da esquerda, mas nunca com a extensão verificada. No que diz respeito ao CHEGA, os ditos “comentadeiros” desvalorizaram sempre a relação deste partido com o eleitorado. Era referido que o caso das malas, da pedofilia e a pouca qualidade dos seus parlamentares, dava como garantido que o seu crescimento estaria condenado, ou pelo menos não assustaria muito.

Penso que de uma maneira geral faz-se uma avaliação errada sobre quem suporta o CHEGA. Naturalmente que 1,3 milhões de votos expressos, não são dos saudosos de 24 de Abril, e muito menos de Salazar. Pela análise que faço deste fenómeno, estou convencido que estes serão uma minoria. Pelo contrário, os votantes do CHEGA são mais jovens, com melhores qualificações, sem uma esperança num futuro risonho, que se reconhecem nos slogans de Ventura, uma resposta às suas preocupações. O CHEGA também é um partido muito mais de casos, do que de ideologias. Conseguiu a sua maior implantação no país do interior, no Sul e Alentejo profundo (terreno comunista desde sempre), e um pouco por todo o lado. As grandes bandeiras do CHEGA foram sempre: a corrupção, os emigrantes, os ciganos. São temas de que todos falam e comentam, mas onde há um pudor enorme de o discutir nos média!

Também é bom não esquecer o passado recente e lembrar dois protagonistas que brincaram com o fenómeno Ventura, sem medir as verdadeiras consequências. Estou a referir-me a António Costa e a Augusto Santos Silva. Os dois tudo fizeram para comprometer o PSD com uma provável ligação com O CHEGA, e condicionaram Luís Montenegro ao seu “não é não”!

A copiosa derrota do PS nestas legislativas, tem em meu fraco entender dois responsáveis: um António Costa que deixou o partido em cacos, para depois correr para Bruxelas para assumir um cargo doirado; e o outro, Pedro Nuno Santos que foi, como se pode ver, uma aposta no cavalo errado. Aliás, a tradição mostra que o PS só ganhou quando se posicionou ao centro, A única excepção foi a formação da geringonça, que foi inventada, para salvar o futuro político de António Costa.

Com a mais provável conquista do segundo maior partido da oposição, resta saber como é que os partidos, particularmente o PSD e o PS, vão lidar com esta nova realidade. Por quanto tempo mais, vai ser possível continuar a menorizar este partido? Há quem antecipe que o CHEGA vai fatalmente ter de se moderar. Há quem anteveja que Ventura se irá converter numa Meloni à portuguesa; e outros que apontam que os resultados obtidos lhe darão a força para se transformar num Salvini. Uma coisa é certa, o CHEGA transformou-se num Elefante na Sala, que já ninguém pode ignorar.

Por outro lado, Luís Montenegro não conseguiu a tal maioria absoluta que tanto almejava. Por isso, o PS vai desempenhar um papel fundamental, se quiser moderar-se a viabilizar algumas propostas do governo, sob pena de caminhar irremediavelmente para se tornar irrelevante. Basta observar o que aconteceu com o BE e a CDU, que não sendo a mesma coisa, pode representar o sinal de aviso. Neste caso o futuro estará na forma de como estes partidos irão lidar com esta nova realidade.

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