segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A HIPOCRISIA DO COMITÊ OLÍMPICO


Vladyslav Heraskevych, da Ucrânia, chega à meta durante uma sessão de treino nos Jogos Olímpicos de inverno de 2026, em Cortina d'Ampezzo, Itália Volodymyr Zelensky condecorou Vladyslav Heraskevych - Foto: Zelensky/X

Vladyslav Heraskevych é uma atleta da modalidade de skeleton, treinado pelo seu pai Mykhailo Heraskevytch, que representou o seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Foi desclassificado pelo COI por se ter recusado a acatar proibição de não utilizar o equipamento. O equipamento em causa, era apenas um capacete de protecção pintado com imagens de outros compatriotas mortos na guerra da Ucrânia. O capacete não apresentava quaisquer slogans ou símbolos políticos. A justificação assentava na premissa de: “que as regras não permitem manifestações políticas nos eventos".

Mykhailo apelou à Tribunal Arbitral do Desporto para revogar a decisão do COI e retornar às Olimpíadas de Inverno. O tribunal máximo do Desporto, no entanto, rejeitou o seu apelo. Perante a decisão afirmou: "Há coisas mais importantes do que as medalhas", Heraskevych num post no X após a sua suspensão. "Este é o preço da nossa dignidade".

Olhando com distanciamento para os argumentos sustentados pelo COI, podemos admitir a justeza da decisão, se a intenção fosse de cariz objectivamente político. Pode também aceitar-se que o atleta apenas quisesse prestar uma homenagem a companheiros mortos em combate, que nunca mais poderiam participar em qualquer manifestação desportiva.  

Os atletas russos competem nas Olimpíadas (como em Paris 2024 e Milão-Cortina 2026) sob a condição de Atletas Individuais Neutros (AIN), devido à invasão da Ucrânia. Não podem usar bandeira, hino ou símbolos nacionais russos, competindo apenas individualmente (sem equipas) após verificação rigorosa de que não apoiam a guerra e não têm ligações militares. No entanto permite que claques organizadas se manifestem abertamente durante as competições, envergando símbolos russos durante as competições. A hipocrisia do COI é frequentemente debatida, centrando-se na aplicação inconsistente das regras de neutralidade política, como a proibição de homenagens por atletas ucranianos em 2026, enquanto se permitem outros gestos, e na sua ambiguidade em relação à participação de atletas russos durante conflitos, gerando críticas de Volodymyr Zelensky e outros observadores sobre a sua postura moral. 

Este foi apenas mais um facto que aponta à inconsistência das posições do COI, que resultou na exclusão de uma atleta que teve a coragem de recusar uma honrosa participação numa prova que lhe deve ter custado muitas horas sacrifício.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez questão de distinguir o gesto do atleta de sketeton, agraciando-o com a Ordem da Liberdade, uma das principais condecorações civis da Ucrânia.

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