Vladyslav Heraskevych é uma
atleta da modalidade de skeleton, treinado pelo seu pai Mykhailo
Heraskevytch, que representou o seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Foi desclassificado pelo COI por se ter recusado a acatar proibição de não
utilizar o equipamento. O equipamento em causa, era apenas um capacete de
protecção pintado com imagens de outros compatriotas mortos na guerra da Ucrânia.
O capacete não apresentava quaisquer slogans ou símbolos políticos. A
justificação assentava na premissa de: “que as regras não permitem
manifestações políticas nos eventos".
Mykhailo apelou à Tribunal
Arbitral do Desporto para revogar a decisão do COI e retornar às Olimpíadas de
Inverno. O tribunal máximo do Desporto, no entanto, rejeitou o seu apelo. Perante
a decisão afirmou: "Há coisas mais importantes do que as
medalhas", Heraskevych num post no X após a sua suspensão. "Este
é o preço da nossa dignidade".
Olhando com distanciamento para
os argumentos sustentados pelo COI, podemos admitir a justeza da decisão, se a intenção
fosse de cariz objectivamente político. Pode também aceitar-se que o atleta
apenas quisesse prestar uma homenagem a companheiros mortos em combate, que
nunca mais poderiam participar em qualquer manifestação desportiva.
Os atletas russos competem nas
Olimpíadas (como em Paris 2024 e Milão-Cortina 2026) sob a condição de Atletas
Individuais Neutros (AIN), devido à invasão da Ucrânia. Não podem usar
bandeira, hino ou símbolos nacionais russos, competindo apenas individualmente
(sem equipas) após verificação rigorosa de que não apoiam a guerra e não têm
ligações militares. No entanto permite que claques organizadas se
manifestem abertamente durante as competições, envergando símbolos russos durante
as competições. A hipocrisia do COI é frequentemente debatida,
centrando-se na aplicação inconsistente das regras de neutralidade política,
como a proibição de homenagens por atletas ucranianos em 2026, enquanto se
permitem outros gestos, e na sua ambiguidade em relação à participação de
atletas russos durante conflitos, gerando críticas de Volodymyr Zelensky e
outros observadores sobre a sua postura moral.
Este foi apenas mais um facto que
aponta à inconsistência das posições do COI, que resultou na exclusão de uma
atleta que teve a coragem de recusar uma honrosa participação numa prova que
lhe deve ter custado muitas horas sacrifício.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez questão de distinguir o gesto do atleta de sketeton, agraciando-o com a Ordem da Liberdade, uma das principais condecorações civis da Ucrânia.
Sem comentários:
Enviar um comentário