Portugal foi assolado por uma catástrofe
climatérica de dimensões colossais, e que na verdade ninguém avaliou as suas reais
consequências. Pelo comunicado da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção
Civil, do dia 27 nada faria prever a magnitude dos estragos causados na fase
inicial da catástrofe! O mesmo comunicado apontava para:
O
IPMA prevê um agravamento do estado do tempo em Portugal continental
devido à passagem da depressão KRISTIN, com precipitação, por vezes forte,
vento forte, agitação marítima forte e queda de neve, salientando-se:
Períodos
de 𝗰𝗵𝘂𝘃𝗮,
por vezes forte, ocasionalmente de granizo e acompanhada de trovoada;
𝗩𝗲𝗻𝘁𝗼
𝗳𝗼𝗿𝘁𝗲,
com rajadas até 120 km/h nas terras altas e até 140 km/h no litoral a norte do
cabo Mondego, bem como no interior das regiões Norte e Centro;
𝗔𝗴𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝗿𝗶́𝘁𝗶𝗺𝗮
𝗳𝗼𝗿𝘁𝗲
na costa ocidental, com ondas até 7 metros, podendo atingir os 14 metros de
altura máxima;
𝗤𝘂𝗲𝗱𝗮
𝗱𝗲
𝗻𝗲𝘃𝗲
acima de 1600 metros de altitude, descendo a cota para 800 metros, prevendo-se
acumulações entre 10 cm e 20 cm acima dos 1000 metros de altitude, nas regiões
Norte e Centro.
Antes demais é importante olhar
para os números que nos permitem ver este fenómeno com realismo e deixando de
lado aspectos emocionais que, naturalmente, podem influenciar a nossa análise neste
tipo de situações, de forma enviesada.
Segundo o jornal ECO de 29/1, “774
quilómetros de linhas de muita alta tensão da REN, o que corresponde a 7% de
toda a Rede Nacional de Transporte de Electricidade”, e “A tempestade
derrubou um total de 61 postes de muito alta tensão e danificou muitos mais“, deixando
“mais de 1 milhão e 200 mil pessoas ficaram sem electricidade”. Isto determinou uma falha nas comunicações que
tornou praticamente impossível perceber em tempo útil a verdadeira dimensão da
tragédia. Falava-se que nas zonas mais atingidas alguns presidentes de câmara só
conseguiam comunicar com os presidentes de junta, passado mais de um dia. Já
para não falar das inúmeras estradas bloqueadas, o que dificultou em muito uma
avaliação precisa dos estragos.
Isto não isenta ninguém das suas
verdadeiras responsabilidades. É desde logo o IPMA e a ANEPC que deveriam ter
um papel mais acutilante no domínio da prevenção.
Vem tudo isto a propósito do
papel da Comunicação Social, que conseguiu cobrir o acontecimento de uma forma
que o malfadado SIRESP não foi capaz. Se no plano operacional fizeram o que se
esperava, o mesmo não posso dizer dos aspectos comunicacionais. A sede de “sangue”
e de encontrar culpados era a tónica dominante em cada uma das intervenções dos
repórteres no terreno. As perguntas eram sistematicamente: já aqui apareceu
alguém para vos ajudar? Algum membro do governo já aqui chegou?
Se o país tem um serviço de
emergência e de protecção civil, é a ele que compete toda a organização operacional
e implementação das medidas que cada situação requer. Entre elas fornecer toda
a comunicação quer no que diz respeito às necessidades sentidas, bem como à
evolução da situação. A comunicação Social deve funcionar aqui como uma correia
de transmissão do evoluir da situação e não como um juiz, em busca de culpados.
Isso é para ser apurado depois. Aos governantes exige-se que na retaguarda proporcionem
todos os mecanismos de ajuda que permitam minorar os prejuízos. A sua presença
e o aparato que estas deslocações se rodeiam, só servem para atrapalhar. Uma
vez mais não aprendemos com os erros do passado. A política de electrificação generalizada
fomentada por este e outros governos veio a provar-se que estava totalmente
errada. Basta ver que uma das coisas a tempestade Katrina veio suscitar, era necessidades
de geradores, que trabalham a combustíveis fósseis… Neste caso em concreto, a forma como o governo comunicou foi um desastre,

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