sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O PAPEL DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA TRAGÉDIA CLIMATÉRICA

 

Portugal foi assolado por uma catástrofe climatérica de dimensões colossais, e que na verdade ninguém avaliou as suas reais consequências. Pelo comunicado da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, do dia 27 nada faria prever a magnitude dos estragos causados na fase inicial da catástrofe! O mesmo comunicado apontava para:

O IPMA prevê um agravamento do estado do tempo em Portugal continental devido à passagem da depressão KRISTIN, com precipitação, por vezes forte, vento forte, agitação marítima forte e queda de neve, salientando-se:

Períodos de 𝗰𝗵𝘂𝘃𝗮, por vezes forte, ocasionalmente de granizo e acompanhada de trovoada;

𝗩𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗳𝗼𝗿𝘁𝗲, com rajadas até 120 km/h nas terras altas e até 140 km/h no litoral a norte do cabo Mondego, bem como no interior das regiões Norte e Centro;

𝗔𝗴𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝗿𝗶́𝘁𝗶𝗺𝗮 𝗳𝗼𝗿𝘁𝗲 na costa ocidental, com ondas até 7 metros, podendo atingir os 14 metros de altura máxima;

𝗤𝘂𝗲𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗻𝗲𝘃𝗲 acima de 1600 metros de altitude, descendo a cota para 800 metros, prevendo-se acumulações entre 10 cm e 20 cm acima dos 1000 metros de altitude, nas regiões Norte e Centro.

Antes demais é importante olhar para os números que nos permitem ver este fenómeno com realismo e deixando de lado aspectos emocionais que, naturalmente, podem influenciar a nossa análise neste tipo de situações, de forma enviesada.

Segundo o jornal ECO de 29/1, “774 quilómetros de linhas de muita alta tensão da REN, o que corresponde a 7% de toda a Rede Nacional de Transporte de Electricidade”, e “A tempestade derrubou um total de 61 postes de muito alta tensão e danificou muitos mais“, deixando “mais de 1 milhão e 200 mil pessoas ficaram sem electricidade”.  Isto determinou uma falha nas comunicações que tornou praticamente impossível perceber em tempo útil a verdadeira dimensão da tragédia. Falava-se que nas zonas mais atingidas alguns presidentes de câmara só conseguiam comunicar com os presidentes de junta, passado mais de um dia. Já para não falar das inúmeras estradas bloqueadas, o que dificultou em muito uma avaliação precisa dos estragos.

Isto não isenta ninguém das suas verdadeiras responsabilidades. É desde logo o IPMA e a ANEPC que deveriam ter um papel mais acutilante no domínio da prevenção.

Vem tudo isto a propósito do papel da Comunicação Social, que conseguiu cobrir o acontecimento de uma forma que o malfadado SIRESP não foi capaz. Se no plano operacional fizeram o que se esperava, o mesmo não posso dizer dos aspectos comunicacionais. A sede de “sangue” e de encontrar culpados era a tónica dominante em cada uma das intervenções dos repórteres no terreno. As perguntas eram sistematicamente: já aqui apareceu alguém para vos ajudar? Algum membro do governo já aqui chegou?

Se o país tem um serviço de emergência e de protecção civil, é a ele que compete toda a organização operacional e implementação das medidas que cada situação requer. Entre elas fornecer toda a comunicação quer no que diz respeito às necessidades sentidas, bem como à evolução da situação. A comunicação Social deve funcionar aqui como uma correia de transmissão do evoluir da situação e não como um juiz, em busca de culpados. Isso é para ser apurado depois. Aos governantes exige-se que na retaguarda proporcionem todos os mecanismos de ajuda que permitam minorar os prejuízos. A sua presença e o aparato que estas deslocações se rodeiam, só servem para atrapalhar. Uma vez mais não aprendemos com os erros do passado. A política de electrificação generalizada fomentada por este e outros governos veio a provar-se que estava totalmente errada. Basta ver que uma das coisas a tempestade Katrina veio suscitar, era necessidades de geradores, que trabalham a combustíveis fósseis… Neste caso em concreto, a forma como o governo comunicou foi um desastre,mas isso não pode justificar o modo como a CS cobriu este evento.

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