domingo, 8 de fevereiro de 2026

PRESIDENCIAIS – VENCEU O CANDIDATO ÓBVIO

 

PRESIDENCIAIS – VENCEU O CANDIDATO ÓBVIO

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As eleições presidenciais de 2026, irão ficar na nossa memória, e não pelas melhores razões. Se numa fase inicial tudo apontava para um vencedor incontestado, o almirante Gouveia e Melo, com dois candidatos em boa posição Marques Mendes e André Ventura. António José Seguro, afastado da política há mais de dez anos, sem o apoio formal do partido e sem que, genericamente ninguém lhe reconhecesse qualidades e competência para o cargo, não aparecia em posição de poder disputar a hegemonia que as sondagens mostravam. A evolução das intenções na primeira volta, revelaram que a auscultação das intenções de voto ia sendo alterada a cada semana que passava. Se o score eleitoral de Ventura podia ser espectável, pela fidelidade dos seus eleitores, a subida de António José Seguro parece inusitada, pela simples razão de ter feito uma campanha inócua e sem tomar posição sobre qualquer assunto fracturante.

Muitas são as teorias para justificar estes resultados. Cada uma delas tão nobre como todas as outras. Mas as escolhas sobre os dois candidatos vencedores da primeira volta, deixaram na opinião de muitos eleitores, como as mais insípidas de que se tem memória! Se isto ainda não bastasse, o comboio de tempestades que assolaram o país não ajudaram nada. O que se pergunta é se uma campanha para a segunda volta, em condições normais, teria sido mais interessante? Receio bem que não!

A máxima que diz que: “Numa eleição a duas voltas. Na primeira escolhe-se e na segunda rejeita-se”, parece justificar-se plenamente. Na primeira volta onde a pluralidade, onde o eleitor vota no candidato da sua preferência. Na segunda volta, é um momento de polarização entre os dois candidatos mais votados. Frequentemente, o voto deixa de ser apenas de apoio a um candidato e passa a ser um voto contra o "menos desejado" ou "menos preferido", ou sobre aquele que personifica “o mal menor”. Ou como uma forma de garantir que o vencedor seja aquele que é menos rejeitado pela maioria do eleitorado. As particularidades da eleição presidencial, com o voto uninominal, esta lógica do “menos rejeitado”, sem deixar de lhe conferir total legitimidade, é, por outro lado, uma representatividade questionável.

Talvez seja por isto que da direita à esquerda todos se uniram no sentido de garantir quem é que seria o próximo inquilino de Belém. Ou uma forma de evitar, à semelhança do que aconteceu em França com Emmanuel Macron, que o extremismo associado a André Ventura não conseguisse esta vitória. Isto permitiu a António José Seguro ser o presidente eleito com o maior número de votos alguma vez eleito. O PS depois de um apoio inicial envergonhado, já começou a capitalizar esta vitória. Esta vitória clamorosa, deve deixar António Costa e os costistas com uma azia tremenda…

O CHEGA conseguiu aquilo que pretendia. Subiu 10 pontos percentuais, e pode arvorar-se agora em líder da direita e com isto manter a retórica habitual em direcção ao governo do país, o seu grande e único objectivo. Tenho visto algumas comparações com resultados em legislativas e mesmo com a primeira volta. No caso das legislativas penso que se trata de uma abordagem intelectualmente desonesta. E com a primeira volta, também não é muito sério, atendendo que eram muitos os candidatos, muitos dos quais apenas pretendia usar o tempo de antena disponibilizado para fazerem a sua “Prova de Vida”

O valor dos Votos Nulos e do Voto em Branco, comparado com a primeira volta, também pode ser observado à luz de uma manifestação objectiva dos eleitores. Se os Votos Nulos não tiveram uma oscilação significativa (1.14 – 1,75), já os Votos em Branco registaram uma subida de 3X (1,06 – 3,17) e isto tem um significado político.

A terminar uma palavra para o papel dos eleitores portugueses que, apesar das condições de intempérie verificadas no dia de hoje, não desmobilizaram e deram um sinal de elevado sentido de cidadania.

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