PRESIDENCIAIS – VENCEU O
CANDIDATO ÓBVIO
As eleições presidenciais de
2026, irão ficar na nossa memória, e não pelas melhores razões. Se numa fase
inicial tudo apontava para um vencedor incontestado, o almirante Gouveia e Melo,
com dois candidatos em boa posição Marques Mendes e André Ventura. António José
Seguro, afastado da política há mais de dez anos, sem o apoio formal do partido
e sem que, genericamente ninguém lhe reconhecesse qualidades e competência para
o cargo, não aparecia em posição de poder disputar a hegemonia que as sondagens
mostravam. A evolução das intenções na primeira volta, revelaram que a auscultação
das intenções de voto ia sendo alterada a cada semana que passava. Se o score
eleitoral de Ventura podia ser espectável, pela fidelidade dos seus eleitores,
a subida de António José Seguro parece inusitada, pela simples razão de ter
feito uma campanha inócua e sem tomar posição sobre qualquer assunto fracturante.
Muitas são as teorias para
justificar estes resultados. Cada uma delas tão nobre como todas as outras. Mas
as escolhas sobre os dois candidatos vencedores da primeira volta, deixaram na opinião
de muitos eleitores, como as mais insípidas de que se tem memória! Se isto
ainda não bastasse, o comboio de tempestades que assolaram o país não ajudaram
nada. O que se pergunta é se uma campanha para a segunda volta, em condições
normais, teria sido mais interessante? Receio bem que não!
A máxima que diz que: “Numa
eleição a duas voltas. Na primeira escolhe-se e na segunda rejeita-se”,
parece justificar-se plenamente. Na primeira volta onde a pluralidade, onde o
eleitor vota no candidato da sua preferência. Na segunda volta, é um momento de
polarização entre os dois candidatos mais votados. Frequentemente, o voto deixa
de ser apenas de apoio a um candidato e passa a ser um voto contra o "menos
desejado" ou "menos preferido", ou sobre aquele que
personifica “o mal menor”. Ou como uma forma de garantir que o vencedor
seja aquele que é menos rejeitado pela maioria do eleitorado. As
particularidades da eleição presidencial, com o voto uninominal, esta lógica do
“menos rejeitado”, sem deixar de lhe conferir total legitimidade, é, por
outro lado, uma representatividade questionável.
Talvez seja por isto que da
direita à esquerda todos se uniram no sentido de garantir quem é que seria o próximo
inquilino de Belém. Ou uma forma de evitar, à semelhança do que aconteceu em
França com Emmanuel Macron, que o extremismo associado a André Ventura não
conseguisse esta vitória. Isto permitiu a António José Seguro ser o presidente
eleito com o maior número de votos alguma vez eleito. O PS depois de um apoio inicial
envergonhado, já começou a capitalizar esta vitória. Esta vitória clamorosa,
deve deixar António Costa e os costistas com uma azia tremenda…
O CHEGA conseguiu aquilo que
pretendia. Subiu 10 pontos percentuais, e pode arvorar-se agora em líder da
direita e com isto manter a retórica habitual em direcção ao governo do país, o
seu grande e único objectivo. Tenho visto algumas comparações com resultados em
legislativas e mesmo com a primeira volta. No caso das legislativas penso que
se trata de uma abordagem intelectualmente desonesta. E com a primeira volta,
também não é muito sério, atendendo que eram muitos os candidatos, muitos dos
quais apenas pretendia usar o tempo de antena disponibilizado para fazerem a
sua “Prova de Vida”
O valor dos Votos Nulos e do Voto
em Branco, comparado com a primeira volta, também pode ser observado à luz de
uma manifestação objectiva dos eleitores. Se os Votos Nulos não tiveram uma
oscilação significativa (1.14 – 1,75), já os Votos em Branco registaram uma
subida de 3X (1,06 – 3,17) e isto tem um significado político.
A terminar uma palavra para o
papel dos eleitores portugueses que, apesar das condições de intempérie
verificadas no dia de hoje, não desmobilizaram e deram um sinal de elevado
sentido de cidadania.
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