Estou perfeitamente à vontade
para escrever este post, porque anteriormente ter publicamente elogiado
a postura de Ana Abrunhosa durante a catástrofe que assolou Coimbra. Tratou do
caso com serenidade e sem nunca exigir mais do que as circunstâncias permitiam.
Esta forma de encarar o problema foi reconhecido por todos, incluindo os
membros do governo e demais autoridades. Ganhou protagonismo, pelas piores
razões com uma postura reservada, mas sem se pôr em bicos dos pés. Já o
presidente Marcelo, este sim sempre desejoso de protagonismo, não deixou de
aproveitar o momento.
Mas a estrelinha de Ana Abrunhosa
começou a empalidecer, quando convidada por Ricardo Araújo Pereira para o seu
programa dominical em horário nobre. Ana Abrunhosa faz uma aparição teatral, envergando
um colete reflector da Protecção Civil, fazendo uma declaração para enaltecer
as forças que ajudaram a combater aos efeitos da devastação provocada.
Imediatamente depois seguiu-se o segundo acto da performance. Despindo o casaco
e atirando-o para longe, porque a hora e o momento exigiam uma postura muito
mais formal, apesar do programa ser tudo menos isso.
O ministro deslocou-se para uma
conversa com os agricultores da região, provavelmente uma das actividades mais prejudicadas
e que até à drenagem dos terrenos só lhes resta que ainda conseguir resistir de
forma a tempo de conseguirem que a cultura do arroz seja possível vingar,
considerando a escassez de tempo disponível.
Segundo as declarações de José
Manuel Fernandes. O seu gabinete, com a devida antecedência, informou a autarca
da deslocação do governante e as razões desta visita. Ana Abrunhosa, teve o
azar do ministro ter comprido o horário e ela não (chegou com 20 minutos de atraso).
O ministro perante as perguntas dos jornalistas que o acompanharam, fez o que
seria espectável, respondeu às questões colocadas.
É perante este cenário que Ana
Abrunhosa aparece, e manifesta a sua indignação pelo o facto do ministro não
podia falar com os jornalistas antes de falar com ela(?). Esta atitude, envolta
num clima de grande exasperação, só pode ser encarada como um assomo de uma importância
protocolar, que manifestamente as normas não lhe reconhecem. A tentativa do
ministro de serenar os ânimos, recebeu por parte de Ana Abrunhosa ainda mais
exaltação.
Mais tarde na SIC o ministro deu
todas as explicações para justificar que da sua parte limitou-se a cumprimento
de um horário com os agricultores que o aguardavam e ela não. Ana Abrunhosa teve
o azar do ministro ter chegado a horas. Considerando o que observamos normalmente,
é que são os autarcas que esperam pelo ministro, e nunca o contrário.
O papel que autarca de Coimbra
desempenhou nesta catástrofe, nunca é demais enaltecer: a sua frieza na tomada
de decisões difíceis, a serenidade como as tomou, e a articulação com as forças
de segurança no terreno, tornam por isso, estranho o seu comportamento com o
ministro.
Podemos talvez concluir que, dada
a carga emocional e o stress que viveu, tenha atingido um ponto de rotura,
perante uma situação injustificada. Ou como muita gente afirma, que se tratou
de um deslumbramento com o reconhecimento que adquiriu por via da catástrofe.
Qualquer uma destas desculpas não justificam o seu comportamento. Desta vez não
estreve bem. Diria mesmo que esteve muito mal.
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