quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

ANA ABRUNHOSA – Uma autarca deslumbrada

Uma imagem com desenho, pássaro, esboço, galinha

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Estou perfeitamente à vontade para escrever este post, porque anteriormente ter publicamente elogiado a postura de Ana Abrunhosa durante a catástrofe que assolou Coimbra. Tratou do caso com serenidade e sem nunca exigir mais do que as circunstâncias permitiam. Esta forma de encarar o problema foi reconhecido por todos, incluindo os membros do governo e demais autoridades. Ganhou protagonismo, pelas piores razões com uma postura reservada, mas sem se pôr em bicos dos pés. Já o presidente Marcelo, este sim sempre desejoso de protagonismo, não deixou de aproveitar o momento.

Mas a estrelinha de Ana Abrunhosa começou a empalidecer, quando convidada por Ricardo Araújo Pereira para o seu programa dominical em horário nobre. Ana Abrunhosa faz uma aparição teatral, envergando um colete reflector da Protecção Civil, fazendo uma declaração para enaltecer as forças que ajudaram a combater aos efeitos da devastação provocada. Imediatamente depois seguiu-se o segundo acto da performance. Despindo o casaco e atirando-o para longe, porque a hora e o momento exigiam uma postura muito mais formal, apesar do programa ser tudo menos isso.

O ministro deslocou-se para uma conversa com os agricultores da região, provavelmente uma das actividades mais prejudicadas e que até à drenagem dos terrenos só lhes resta que ainda conseguir resistir de forma a tempo de conseguirem que a cultura do arroz seja possível vingar, considerando a escassez de tempo disponível.

Segundo as declarações de José Manuel Fernandes. O seu gabinete, com a devida antecedência, informou a autarca da deslocação do governante e as razões desta visita. Ana Abrunhosa, teve o azar do ministro ter comprido o horário e ela não (chegou com 20 minutos de atraso). O ministro perante as perguntas dos jornalistas que o acompanharam, fez o que seria espectável, respondeu às questões colocadas.

É perante este cenário que Ana Abrunhosa aparece, e manifesta a sua indignação pelo o facto do ministro não podia falar com os jornalistas antes de falar com ela(?). Esta atitude, envolta num clima de grande exasperação, só pode ser encarada como um assomo de uma importância protocolar, que manifestamente as normas não lhe reconhecem. A tentativa do ministro de serenar os ânimos, recebeu por parte de Ana Abrunhosa ainda mais exaltação.

Mais tarde na SIC o ministro deu todas as explicações para justificar que da sua parte limitou-se a cumprimento de um horário com os agricultores que o aguardavam e ela não. Ana Abrunhosa teve o azar do ministro ter chegado a horas. Considerando o que observamos normalmente, é que são os autarcas que esperam pelo ministro, e nunca o contrário.

O papel que autarca de Coimbra desempenhou nesta catástrofe, nunca é demais enaltecer: a sua frieza na tomada de decisões difíceis, a serenidade como as tomou, e a articulação com as forças de segurança no terreno, tornam por isso, estranho o seu comportamento com o ministro.

Podemos talvez concluir que, dada a carga emocional e o stress que viveu, tenha atingido um ponto de rotura, perante uma situação injustificada. Ou como muita gente afirma, que se tratou de um deslumbramento com o reconhecimento que adquiriu por via da catástrofe. Qualquer uma destas desculpas não justificam o seu comportamento. Desta vez não estreve bem. Diria mesmo que esteve muito mal.

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