Vivemos numa democracia. E, como
tal, os políticos são eleitos por indicação dos partidos. A nós eleitores fazemos
as nossas escolhas, tendo por base as convicções que cada um entende como as
melhores para o fim em vista. Dito doutra forma, as escolhas que cada um de nós
faz, está condicionada à partida, pelos escolhas das cúpulas partidárias,
muitas vezes à revelia das escolhas locais. Ou seja, somos convidados a
participar num jogo viciado, na medida em que não participamos directamente na
escolha daqueles que nos irão representar. Por isso mesmo, o eleito tem um
dever acrescido de se dar ao respeito, para poder ser respeitado.
Participar da vida política é
exercer a cidadania e, este deverá ser o primeiro dever de um eleitor.
Representa a nossa participação esporádica na escolha dos nossos
representantes. A estes compete-lhes exactamente isto, agir em representação
dos seus eleitores e também daqueles que, objectivamente, deram o seu voto a
outro candidato.
A um político não se exige nada
de especial, a não ser, exercer o seu mandato, tendo como foco a interesse
colectivo. Para isso terá que tomar medidas que, no plano ideológico, não vai
agradar a todos. E aí terá sempre que, de forma educada e humilde, afirmar,
defender e debater a justeza das suas propostas. É isto que se exige a qualquer
eleito, venha ele de qualquer quadrante político. Perder a calma, além de um
desrespeito por todos o que o elegeram, representa uma falta de carácter
inadmissível num representante do povo.
Desde há muito tempo que verificamos
que muitos dos responsáveis do Partido Socialista, lidam muito mal, quando são
confrontados com as suas responsabilidades e incoerências. Quando estes tipos
de atitudes acontecem no âmbito dos debates políticos, compreende-se. Melhor
seria defender os seus pontos de vista de forma convicta e séria. Quando tal
não se verifica, parece revelar a fraqueza dos argumentos esgrimidos. Pior é
quando este tipo de atitude é feito contra jornalistas, no exercício da sua
actividade e a sua missão não será, certamente, fazer perguntas cómodas.
Ninguém consegue perceber tanta irritação
de quem se pôs a jeito. Se não vejamos: são os incontáveis casos de suspeitas
de corrupção que atravessam o PS; é a inexplicável onda de nepotismo que assolou este governo;
são as desastradas nomeações de boys, sem qualquer experiência operacional, para
a Protecção Civil; é a forma inadmissível como são pagas as viagens dos
deputados, bem como os subsídios de deslocação, as vergonhosas pensões
vitalícias, só para falar nas mais evidentes. Quando confrontados com alguma
pergunta a propósito destas questões, reagem como donzela ofendidas.
Igualmente nas redes sociais, os
seus indefectíveis defensores disparam em todas as direcções, arranjando as
mais indisfarçáveis desculpas, para justificar tamanha atrapalhação e irritação.
Mas quando se trata da defesa da honra do convento, aí vale tudo.
Para que melhor se entenda o que
acabei de escrever, deixo aqui alguns “tesourinhos”, que ilustram de forma
iniludível esta anomalia que atingiu muitos socialistas.
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