sábado, 27 de julho de 2019

O PERIGO DE UMA MAIORIA ABSOLUTA DO PS NAS PRÓXIMAS LEGISLATIVAS


Talvez dos nomes mais bem inventados (Vasco Pulido Valente) no tempo mais recente foi, GERINGONÇA. Ela resultou de uma manobra do habilidoso António Costa, e assim, garantir a sua sobrevivência política. Lembremos que Costa é eleito, depois de uma humilhante derrota eleitoral, sobretudo, quando criticava o seu antecessor acusando-o de que as suas vitórias eram “poucochinho”. Para tal teve que vender a alma ao diabo, ou seja, aos seus inimigos de sempre: PCP e BE. Para tal, conseguiu um acordo, com cada um deles e ainda o PEV, cuja existência depende da mão que o PCP lhes dá. Foram acordos feitos à porta fechada, com cada um isoladamente, e sem qualquer compromisso governativo ou parlamentar. Era de facto muito difícil arranjar tal entendimento, sobretudo se pensarmos nas enormes diferenças destas forças relativamente á posição do PS em matérias como Europa e Defesa.
Literalmente, geringonça significa o que é malfeito, com estrutura frágil e funcionamento precário; um aparelho ou mecanismo de construção complexa. Tal com aquela história de alguém encontrar uma girafa pendurada num porte de electricidade e pensar “não sei como ela foi lá parar, nem como lá se aguenta, mas o certo é que ela está lá!
A improbabilidade do sucesso deste arranjo era reconhecida por todos os politólogos da nossa praça. Apesar de tudo, as coisas funcionaram, e hoje o termo foi adoptado e generalizado e perdeu muito da sua carga pejorativa. Isto ficou a dever-se pelo cumprimento das exigências da Troika, garantidas pelos anteriores executivos, criando uma folga financeira que permitiram muitas das medidas adoptadas. Apesar de avanções e recuos, ela lá se foi aguentando, fruto de uma conjuntura internacional muito favorável (preço dos combustíveis, taxas de juro baixas, crescimentos dos países importadores, etc.), e de uma oposição frouxa e inexistente.
Com a vitória expressiva do PS nas últimas autárquicas, soaram alarmes nas sedes do BE e do PCP, por verem que a acção da geringonça beneficiou mais o PS do que eles próprios. As sondagens dão o PS muito próximo da maioria absoluta, ou na pior das hipóteses poder formar um governo com o apoio de um pequeno partido (?), como o PAN. Esta provável solução, seria fácil de conseguir, mas iria alterar drasticamente o equilíbrio de forças que, apesar de tudo, a geringonça a três sempre garantia. Para além disso, a provável saída de Mário Centeno para um cargo europeu, pode deitar por terra o slogan das “contas certas”, mesmo tendo em conta as suas habilidades contabilísticas. E todos sabemos que um PS em roda livre, não se recomenda – não esquecer de Sócrates e dos seus governos.
Com o descalabro da direita, antevejo uma grande incerteza quanto ao futuro do país, muito em particular pelo estado lamentável nas áreas essenciais à vida dos portugueses: a saúde, a educação, os transportes, os conflitos sociais, a justiça, a segurança. Com este cenário no horizonte, em Outubro próximo a nossa responsabilidade como eleitores, deve assentar numa escolha criteriosa de quem melhor poderá governar o país. No meu ver, um PS sozinho, em maioria absoluta, não vai resistir à tentação do laxismo e deitar por terra todo o esforço, feito por todos nós. Não esqueçamos que o FMI esteve por três vezes em Portugal, sempre pela mão do PS: Sintomático!
Por ser uma evidência muito recente , devemos ainda levar em conta, e não esquecer na hora da escolha, a enorme responsabilidade deste governo, nos fogos florestais, a sua incapacidade em aceitar as evidências: a inoperância e incompetência dos serviços de Protecção Civil; as incompreensíveis falhas do SIRESP (negócio feito poa António Costa); as inúmeras suspeições que envolvem a contratação dos meios aéreos; a forma desleixa como foram geridos os donativos dos fogos de Pedrogão Grande; os sucessivos conflitos com os autarcas, que apenas pretendem o melhor para o seu concelho e populações; os incómodos e as irritações com as perguntas dos jornalistas. Estas são apenas algumas das inconsistências de um governo (maioria), que sistematicamente falhou. Por tudo isto, proporcionar uma maioria absoluta ao PS será um erro, que iremos carregar por muitos e muitos anos.

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