Talvez dos nomes mais bem inventados (Vasco Pulido Valente) no
tempo mais recente foi, GERINGONÇA. Ela resultou de uma manobra do habilidoso
António Costa, e assim, garantir a sua sobrevivência política. Lembremos que
Costa é eleito, depois de uma humilhante derrota eleitoral, sobretudo, quando
criticava o seu antecessor acusando-o de que as suas vitórias eram “poucochinho”.
Para tal teve que vender a alma ao diabo, ou seja, aos seus inimigos de sempre:
PCP e BE. Para tal, conseguiu um acordo, com cada um deles e ainda o PEV, cuja
existência depende da mão que o PCP lhes dá. Foram acordos feitos à porta
fechada, com cada um isoladamente, e sem qualquer compromisso governativo ou parlamentar.
Era de facto muito difícil arranjar tal entendimento, sobretudo se pensarmos
nas enormes diferenças destas forças relativamente á posição do PS em matérias
como Europa e Defesa.
Literalmente, geringonça significa o que é malfeito, com
estrutura frágil e funcionamento precário; um aparelho ou mecanismo de
construção complexa. Tal com aquela história de alguém encontrar uma
girafa pendurada num porte de electricidade e pensar “não sei como ela foi
lá parar, nem como lá se aguenta, mas o certo é que ela está lá!
A improbabilidade do sucesso deste arranjo era reconhecida
por todos os politólogos da nossa praça. Apesar de tudo, as coisas funcionaram,
e hoje o termo foi adoptado e generalizado e perdeu muito da sua carga pejorativa.
Isto ficou a dever-se pelo cumprimento das exigências da Troika, garantidas
pelos anteriores executivos, criando uma folga financeira que permitiram muitas
das medidas adoptadas. Apesar de avanções e recuos, ela lá se foi aguentando, fruto
de uma conjuntura internacional muito favorável (preço dos combustíveis, taxas
de juro baixas, crescimentos dos países importadores, etc.), e de uma oposição
frouxa e inexistente.
Com a vitória expressiva do PS nas últimas autárquicas,
soaram alarmes nas sedes do BE e do PCP, por verem que a acção da geringonça
beneficiou mais o PS do que eles próprios. As sondagens dão o PS muito próximo
da maioria absoluta, ou na pior das hipóteses poder formar um governo com o apoio
de um pequeno partido (?), como o PAN. Esta provável solução, seria fácil de
conseguir, mas iria alterar drasticamente o equilíbrio de forças que, apesar de
tudo, a geringonça a três sempre garantia. Para além disso, a provável saída de
Mário Centeno para um cargo europeu, pode deitar por terra o slogan das “contas
certas”, mesmo tendo em conta as suas habilidades contabilísticas. E todos
sabemos que um PS em roda livre, não se recomenda – não esquecer de Sócrates e
dos seus governos.
Com o descalabro da direita, antevejo uma grande incerteza
quanto ao futuro do país, muito em particular pelo estado lamentável nas áreas
essenciais à vida dos portugueses: a saúde, a educação, os transportes, os
conflitos sociais, a justiça, a segurança. Com este cenário no horizonte, em Outubro
próximo a nossa responsabilidade como eleitores, deve assentar numa escolha
criteriosa de quem melhor poderá governar o país. No meu ver, um PS sozinho, em
maioria absoluta, não vai resistir à tentação do laxismo e deitar por terra todo
o esforço, feito por todos nós. Não esqueçamos que o FMI esteve por três vezes
em Portugal, sempre pela mão do PS: Sintomático!
Por ser uma evidência muito recente , devemos ainda levar em
conta, e não esquecer na hora da escolha, a enorme responsabilidade deste
governo, nos fogos florestais, a sua incapacidade em aceitar as evidências: a inoperância
e incompetência dos serviços de Protecção Civil; as incompreensíveis falhas do
SIRESP (negócio feito poa António Costa); as inúmeras suspeições que envolvem a
contratação dos meios aéreos; a forma desleixa como foram geridos os donativos
dos fogos de Pedrogão Grande; os sucessivos conflitos com os autarcas, que
apenas pretendem o melhor para o seu concelho e populações; os incómodos e as
irritações com as perguntas dos jornalistas. Estas são apenas algumas das
inconsistências de um governo (maioria), que sistematicamente falhou. Por tudo isto,
proporcionar uma maioria absoluta ao PS será um erro, que iremos carregar por
muitos e muitos anos.
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