quinta-feira, 25 de julho de 2019

SANTARÉM NÃO MERECIA TAL SORTE II


Acabei de saber da lamentável forma como decorreu a reunião de apresentação das listas do PSD, para as próximas legislativas.
Todos sabemos das polémicas que existem, sistematicamente, nas manifestas divergências entre as escolhas dos órgãos locais, com as orientações das estruturas nacionais, e isso eu consigo entender. Já não entendo que, personalidades com responsabilidades, quer a nível regional, quer a nível nacional, se envolvam em contendas dignas do ambiente de taberna. Como não conheço os detalhes das argumentações esgrimidas, não consigo ajuizar quem procedeu com maior ou menor grau de irresponsabilidade. Uma coisa é certa, o cidadão eleitor, tem que admitir que as pessoas que se apresentam ao escrutínio, sejam gente de bem e com uma forma de ser e de estar, acima de qualquer comportamento menos aceitável! À mulher de César não lhe basta ser séria.
Pelo que li, o principal foco de divergência, assentou na escolha do actual deputado eleito pelo ciclo de Santarém (escolha nacional) e em funções na Assembleia da República, e a não inclusão, em lugar elegível, de Ramiro Matos (escolha local).
O problema da escolha dos candidatos para as listas partidárias, sempre foram geradores de grandes divisões no interior dos partidos. A argumentação habitual é que, a cúpula do partido tem uma visão mais global e assente numa estratégia política nacional. Por outro lado, as estruturas partidárias de âmbito local, contrapõem na sua argumentação que, a proximidade e conhecimento da população dos candidatos, e do seu trabalho, é o argumento chave para as suas escolhas. Uns e outros tem as suas razões. Também é reconhecido que na constituição das listas também se verifica, que algumas escolhas, são mais para satisfazer alguns favores políticos, do que por uma reconhecida competência ou preparação para o cargo.
O caso em apreço envolve o PSD. Mas esta lógica, é transversal a todo o espectro político, com mais ou menos mediatismo, mas a consensualidade nas escolhas dos candidatos é, muito mais a excepção do que a regra.
Em conclusão podemos admitir, que nestas lógicas partidárias, o desenvolvimento das regiões, os interesses dos cidadãos eleitores contam muito pouco. Pior ainda é o triste espectáculo que se dá da terra e das suas gentes. Santarém não merecia tal sorte.

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