Tinha prometido a mim mesmo não votar mais a este assunto. Não resisti pelos últimos desenvolvimentos. Porque se estremaram posições e onde o essencial, nunca foi levado em conta. Ou seja, todos os intervenientes defenderam os seus pontos de vistas, mas o que indignou e preocupa o vulgar cidadão, é a forma como as instituições, tratam os idosos indefesos. No caso de Reguengos, por tudo aquilo que se sabe(?), havia utentes que estavam desidratados, sem tratamento, e/ou sem o seu registo, em condições higiénicas deploráveis, e onde foram registados 18 óbitos.
Aparentemente todos os que,
directa ou indirectamente estiveram envolvidos neste negro episódio, tentaram
alijar responsabilidades, atirando para cima dos outros o ónus da questão. Se pudéssemos
tirar uma fotografia de todo estes imbróglios iriam, certamente, aparecer
desfocados todos os seus intervenientes.
Esteve mal a instituição por não
ter, atempadamente desenvolvido todos os esforços para resolver, pelo que se
sabe, uma situação degradante que se vivia naquele espaço. Esteve mal o
presidente da câmara, que por inerência era presidente da fundação que geria o
lar. Esteve mal a Segurança Social local na sua responsabilidade de tutela.
Esteve mal a ARS local por ter permitido, ou ignorado que tal se tivesse
verificado. O facto destes responsáveis terem uma ligação partidária ao PS,
quero concluir que é uma mera coincidência. Noutros locais o emblema partidário
será outro. Blog TURNO ZERO
Estiveram mal os médicos que se
recusaram a prestar serviço no lar, se outra razão não houvesse, havia sempre o
seu compromisso com o juramento de Hipócrates. Esteve mal a Ordem dos Médicos
por ter extravasado, aparentemente, as suas competências, ao elaborar um
relatório que não lhe competia.
Esteve mal a Ministra do Trabalho
pela insensibilidade demonstrada, face aos dados constantes do tal relatório da
OM e de mais outros três. Por haver alguma contradição sobre aquilo que era
revelado nestes relatórios, mais se justificaria a preocupação da srª ministra.
Se um relatório oficial (Segurança Social) foi entregue no ministério público,
era importante, para total esclarecimento deste assunto, o seu conteúdo fosse
tornado público.
Esteve mal António Costa ao dar
total cobertura à sua ministra, que se desculpou invocando que as suas palavras
estariam descontextualizadas. Em situações semelhantes, o desfecho foi outro!
Esteve mal o líder da oposição
pelo evidente aproveitamento político deste triste acontecimento.
Esteve mal o sr. presidente da
República, sempre pronto a comentar tudo e mais alguma coisa, pelo seu silêncio.
”Last but not the least” e nem
por isso menos importante, esteve mal o Jornal Expresso, pela divulgação de um
desabafo do 1º ministro numa situação “off record”, lançando assim, mais
gasolina na fogueira. Esta violação da ética e deontologia jornalística,
transforma este jornal de referência num sucedâneo de títulos como o Correio da
Manhã, sobretudo quando o seu director é irmão do entrevistado. Imperdoável.
Pelo que se vê, nenhum dos
intervenientes em toda esta novela cumpriram ou geriram, de melhor forma, as
suas actuações, competências e responsabilidades. Não fosse o espectro dos 18
mortos, e de uns tantos idosos abandonados à sua sina, e que teimosamente estavam
presentes e bem focados. Todos os outros figurantes, referidos apareceram na “fotografia”
totalmente desfocados. É por isso lamentável que o que se passou naquele lar,
tivesse sido relegado para um plano totalmente marginal, para dar evidência a
tricas corporativas, políticas, partidárias, ou quaisquer outras. Se estamos
todos a caminhar para a velhice, o quadro que observamos não é muito animador.
Aqueles idosos foram neste caso o elo mais fraco, como se pode observar, e sobretudo
feridos na sua dignidade, e isso não pode ser aceitável.
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