O COVID 19, veio evidenciar uma realidade completamente nova na nossa vida colectiva. Era um desafio universal e desconhecido, e para a qual ninguém estava preparado. Todos os intervenientes no combate à pandemia, leia-se profissionais de saúde, tiveram um papel fundamental e determinante. Este esforço tem de ser entendido em duas vertentes fundamentais:
1 - Ouve necessidade de preparar
as estruturas físicas para este desafio, bem como os profissionais que trataram
de todos os que foram atingidos por este flagelo, com um uma dedicação e
empenhamento, que ninguém pode esquecer.
2 – Outro aspecto determinante
foi a necessidade de informar e esclarecer a população da evolução da pandemia,
bem como as recomendações da forma como cada um podia contribuir e evitar a sua
disseminação.
Como consequência disto,
diariamente os responsáveis do SNS difundiam informação para alcançar este
objectivo. Temos que convir que, no continente, nem sempre as coisas foram claras
e objectivas. Todos nos lembramos da declarações erráticas e contraditórias de
Marta Temido e de Graça Freitas. Há quem diga que se limitaram a seguir os
pareceres da OMS. Mesmo que assim tenha sido, fizeram-no sempre aos avanços e
recuos, da forma nervosa e autoritária e de indisfarçável submissão ao poder.
Contrastando com isto, o director
regional de saúde da Região Autónoma dos Açores, Tiago Lopes, apareceu com uma abordagem
muito serena, competente, pedagógica e objectiva, primando a sua actuação por
um evidente domínio técnico, fazendo das suas conferências de imprensa, um
momento por que todos os açorianos ansiosamente aguardavam. Enfrentou todas as
situações de crise de forma rápida e assertiva. Não vacilou perante as dificuldades.
Sobressai ainda o facto pouco comum, por se tratar de um enfermeiro a
desempenhar aquelas funções. Provando-se assim que não são os títulos académicos
que fazem os lugares. Ou seja, imperou o primado da meritocracia, infelizmente,
muito arredado dos corredores do poder.
A sua popularidade granjeou a simpatia
de todos, que de forma carinhosa o apelidaram de “Tiaguim”. A sua presença
pautava-se sempre por um discurso, simples e acessível. Uma postura discreta e
recatada, e um domínio da matéria acima dos seus congéneres continentais. A sua
popularidade atingiu marcas de uma autêntica estrela nas redes sociais. Grupo de fãs de
Tiago Lopes no Facebook foi criado no dia 5 de Abril e já tem mais 33 mil
seguidores. [1]
Numa das muitas entrevistas que
deu, afastou sempre a possibilidade de assumir um papel na política partidária.
Eis senão quando, o vemos como segundo na lista de candidatos do PS, pela ilha
Terceira às próximas eleições regionais. O que é que isso tem de
extraordinário? Absolutamente nada! A incoerência nestas coisas da política
banalizou-se de tal forma que nada disto nos deve admirar. Já a sua decisão de
permitir uma tourada na Terceira logo depois de ter inviabilizado a realização,
na data prevista, do Azores Rallye 2020, prova de prestígio
internacional, levanta algumas dúvidas. Dois pesos e duas medidas,
provavelmente. Veio ainda acicatar alguns bairrismos doentios entre estas duas
ilhas. Não havia necessidade.
Vamos admitir que existem
argumentos tecnicamente válidos para este tratamento diferenciado, Tiago Lopes,
mudou. E mudou exactamente quendo decidiu entrar na política partidária. Trocou
a imagem de profissional competente, determinado, corajoso; pelo do político
submisso à vontade de um qualquer grupo de pressão. Com isto perdeu, pelo menos
para alguns açorianos, o capital de confiança nele depositado. E
na política o que parece, é!

Sem comentários:
Enviar um comentário