quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A NOVA MINISTRA DA AGRICULTURA, UMA CARTA FORA DO BARALHO


Lido regularmente com agricultores, organiações de produção e estruturas ligadas à formação profissional do sector. Isto permite-me ter uma visão alargada dos problemas que afectam a classe, bem como os seus anseios e preocupações, que são muitos e variados. A modernização a nossa agricultura, é uma realidade inegável. Importante para este desígnio, foram as vultuosas ajudas comunitárias de que o nosso país beneficiou.Temos que reconhecer que estas ajudas, apesar de fundamentais, foram aproveitadas por uma classe de agricultores mais esclarecida, mais jovem e, invariavelmente de maior capacidade económica e fundiária. Mais recentemente o sector tem crescido à custa de investidores, sem qualquer ligação de raiz ou tradição à terra, mas com preocupações de modernidade e rentabilidade das culturas implantadas. Os sectores mais apetecíveis têm sido a vinha e o olival e por raões compreensíveis. Mas tudo isto está em contraponto com uma outra realidade, os agricultores das regiões do interior, mais pobres, com áreas agrícolas diminutas e explorando culturas (floresta, cereais de sequeiro, pastorícia, e pouco mais) de muito baixos rendimentos e a quem, estas ajudas passaram completamente ao lado. Esta foi, aliáz a grande responsável pelo abandono do mundo rural e desertificação do interior do país, com óbvios problemas irectos nos fogos florestais.Tudo isto vem a propósito a nomeação da nova ministra da agricultura. O meu conhecimento das suas capacidades e curriculum  senhora é muito relativo. Portanto, não quero fazer qualquer juízo de caracter técnico sobre o que esta ministra representa para os agricultores. As primeiras impressões que ouvi da boca de alguns agricultores para esta nomeação, foi de grande desconfiança, pela seu óbvio desconhecimento do mundo agrícola. O antigo ministro , também não tinha grande aceitação por parte dos agricultores, mas ninguém lhe pode negar uma longa e grande experiência, e um profundo conhecimento das indiossincracias que atravessam o sector.A nomeação de Maria do Céu Albuquerque é, por tudo isto, incompreensível num palano meramente técnico, quando existiam escolhas bem mais qualificadas para o lugar. Se isto já em si é preocupante para quem diariamente tem de lutar muito para ter uma vida com um mínimo de dignidade, mais preocupante é saber que a senhora em causa está ligada dois episódios que não abonam em nada o seu carácter. Estou a referir-me, concretamente, a um caso de alguns negócios suspeitos, com um filho de um deputado do PS, enqunto presidia à Cãmara de Abrantes. Há ainda um estranho episódio em que está em causa a falência do antigo construtor civil Jorge Ferreira Dias, que se arrata por diversos tribunais, com decisões favoráveis ao queixoso.Vamos ouvir muita gente a defender a senhora, que nada está provado, que nada transitou em julgado, que ela até fez um excelente trabalho na secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, etc. Vamos ainda ouvir que isto provavelmente são Fake news. Mas uma coisa tenho a certeza, a constituição deste novo governo, no que à pasta a agricultura di respeito, não começou bem. A recém nomeada, não tem o prefil adequado para estar à frente de um ministério, que tem de intervir num sector que é muito sensível e que tem as suas especificidades muito próprias.O sector vai ter dentro em breve uma prova de fogo – o Brexit. Qualquer que seja o resultado deste processo, a agricultura portuguesa vai sofrer um forte impacto, quer directamente pelas ralações comerciais com a Grã Bretanha, quer ainda de forma indirecta, pela natural interferência a nível interno, de outros países concorrentes, como o caso da nossa viinha Espanha. O sector vinícola, já está no presente momento, a sofrer deste fenómeno.Vamos esperar para ver!

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