Lido regularmente com agricultores,
organiações de produção e estruturas ligadas à formação profissional do sector.
Isto permite-me ter uma visão alargada dos problemas que afectam a classe, bem
como os seus anseios e preocupações, que são muitos e variados. A modernização
a nossa agricultura, é uma realidade inegável. Importante para este desígnio,
foram as vultuosas ajudas comunitárias de que o nosso país beneficiou.Temos que reconhecer que estas ajudas,
apesar de fundamentais, foram aproveitadas por uma classe de agricultores mais
esclarecida, mais jovem e, invariavelmente de maior capacidade económica e
fundiária. Mais recentemente o sector tem crescido à custa de investidores, sem
qualquer ligação de raiz ou tradição à terra, mas com preocupações de
modernidade e rentabilidade das culturas implantadas. Os sectores mais
apetecíveis têm sido a vinha e o olival e por raões compreensíveis. Mas tudo
isto está em contraponto com uma outra realidade, os agricultores das regiões
do interior, mais pobres, com áreas agrícolas diminutas e explorando culturas
(floresta, cereais de sequeiro, pastorícia, e pouco mais) de muito baixos rendimentos
e a quem, estas ajudas passaram completamente ao lado. Esta foi, aliáz a grande
responsável pelo abandono do mundo rural e desertificação do interior do país,
com óbvios problemas irectos nos fogos florestais.Tudo isto vem a propósito a nomeação da nova
ministra da agricultura. O meu conhecimento das suas capacidades e curriculum senhora é muito relativo. Portanto, não quero
fazer qualquer juízo de caracter técnico sobre o que esta ministra representa
para os agricultores. As primeiras impressões que ouvi da boca de alguns
agricultores para esta nomeação, foi de grande desconfiança, pela seu óbvio
desconhecimento do mundo agrícola. O antigo ministro , também não tinha grande
aceitação por parte dos agricultores, mas ninguém lhe pode negar uma longa e grande
experiência, e um profundo conhecimento das indiossincracias que atravessam o
sector.A nomeação de Maria do Céu Albuquerque é,
por tudo isto, incompreensível num palano meramente técnico, quando existiam
escolhas bem mais qualificadas para o lugar. Se isto já em si é preocupante
para quem diariamente tem de lutar muito para ter uma vida com um mínimo de
dignidade, mais preocupante é saber que a senhora em causa está ligada dois
episódios que não abonam em nada o seu carácter. Estou a referir-me,
concretamente, a um caso de alguns negócios suspeitos, com um filho de um deputado
do PS, enqunto presidia à Cãmara de Abrantes. Há ainda um estranho episódio em que
está em causa a falência do antigo construtor civil Jorge Ferreira Dias,
que se arrata por diversos tribunais, com decisões favoráveis ao queixoso.Vamos ouvir muita gente a defender a
senhora, que nada está provado, que nada transitou em julgado, que ela até fez
um excelente trabalho na secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional,
etc. Vamos ainda ouvir que isto provavelmente são Fake news. Mas uma
coisa tenho a certeza, a constituição deste novo governo, no que à pasta a
agricultura di respeito, não começou bem. A recém nomeada, não tem o prefil
adequado para estar à frente de um ministério, que tem de intervir num sector que
é muito sensível e que tem as suas especificidades muito próprias.O sector vai ter dentro em breve uma prova
de fogo – o Brexit. Qualquer que seja o resultado deste processo, a agricultura
portuguesa vai sofrer um forte impacto, quer directamente pelas ralações
comerciais com a Grã Bretanha, quer ainda de forma indirecta, pela natural
interferência a nível interno, de outros países concorrentes, como o caso da
nossa viinha Espanha. O sector vinícola, já está no presente momento, a sofrer
deste fenómeno.Vamos esperar para ver!
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