A composição do Parlamento saído
destas eleições vai apresentar uma configuração diferente, tanto à esquerda,
como à direita. O novo arranjo parlamentar tem, aparentemente, tornado mais difícil
a formação a Geringonça II. António Costa bem se esforça com tentativas de
sedução, sobretudo entre os PAN e o Livre. Já com o BE as coisas têm sido mais complicadas,
apesar de uma despudorada tentativa de Catarina Martins, na sua disponibilidade
para viabilizar, com algumas condições, o próximo executivo. Percebe-se porquê.
Manteve a representação parlamentar, mas perdeu um número significativo de
votantes. O PCP, como partido anti-sistema, já compreendeu que a ajuda que deu
à Geringonça I, o prejudicou eleitoralmente e não se mostra muito disponível.
Por isso, vai voltar a sua luta para a rua, usando a enorme influência que
ainda tem no sector sindical. À direita, a aparente disponibilidade de Rui Rio
a entendimentos pontuais, encontra uma forte oposição interna. Por tudo isto,
António Costa, não só vai ter mais dificuldade na formação do seu gabinete,
como vai ter um parlamento mais plural, escomprometido e estremado, pela
chegada do Livre, do Iniciativa Liberal e do Chega. O quase desaparecimento do
CDS e a hecatombe do PSD, vão certamente promover o aparecimento de novas lideranças,
que vão querer mostrar serviço.
Prevejo que a próxima legislatura
vai ser muito mais difícil de levar por diante, do que a anterior, pelas
exigências de caracter social à esquerda, e reformistas à direita. A degradação
generalizada dos serviços públicos, não pode esperar mais por uma intervenção
urgente. A conjuntura excepcional e irrepetível de que beneficiou o último
executivo, dificilmente se repetirá. A conflitualidade, não se espera que dê sinais
de abrandamento. Por tudo isto, algumas nuvens ensombram, o nosso futuro
próximo e o executivo não irá ter grande margem de manobra.
O Brexit vai trazer uma enorme
perturbação em toda a Europa. O abrandamento das economias mais fortes (os nossos
principais parceiros comerciais), vão ter um forte impacto em todo o nosso
sector empresarial. Se acrescentarmos a este quadro, o facto da Espanha ir
sofrer dos mesmos problemas, irá determinar manobras de concorrência, que já
neste momento se fazem sentir, como por exemplo, no sector agrícola,
A posição de Donald Trump, e do mais
do que previsível acordo comercial entre os Estado Unidos da América e a China,
não trazem nada de bom para a economia europeia. Temos visto alguma reticência
do governo chinês relativamente a este assunto, mas é inegável que a dimensão e
a importância destes dois mercados, é muito apetecível de parte a parte.
Uma frágil e dependente economia
como a nossa, vai ter de dar uma resposta muito firme a todas estas ameaças.
Tudo isto vai acontecer muito em breve, e muito pouco sabemos das propostas dos
partidos que irão suportar a Geringonça II, o que pensam sobre este assunto, e quais
as suas recomendações para o país enfrentar este enorme desafio!
Mas a maior dificuldade de
António Costa vai ser lidar com um parlamento, menos comprometido e muito mais
plural. Mesmo se considerarmos que partidos como o Livre, O Iniciativa Liberal
ou o Chega, nunca terão capacidade de mudar muita coisa, isoladamente. Mas vão,
certamente, provocar um “ruído” que até agora não existia. A pluralidade de
opiniões é o fundamento de uma moderna democracia. A dúvida é, se todos nós, e
a classe política incluída, estaremos preparados para toda esta mudança. Mas
que o próximo governo vai ter uma vida muito mais difícil, não restam dúvidas a
ninguém. A forma como irá enfrentar estas dificuldades representam uma incógnita,
mas que irá ter repercussões na vida de todos nós, e provavelmente, pelos
piores motivos. Espero que o tempo não venha a dar-me razão.
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