terça-feira, 1 de outubro de 2019

VOTAR EM QUEM?


Confesso que há muito tenho adoptado a opção do voto em branco, por não encontrar na oferta partidária um discurso sério e coerente, e que satisfaçam os princípios e valores porque oriento todas as opções no exercício da minha cidadania. Constato que os chamados, partidos do arco da governação (PS, PSD e CDS), se limitaram a gerir fundos e a resolver a vidinha deles e dos seus, nos últimos quarenta e tal anos.
Aproxima-se um outro um novo acto eleitoral, em que todos nós vamos ser chamados a escolher (?) quem escolhe são os partidos, os novos eleitos, para os sentarmos confortavelmente na cadeira do poder, por mais quatro anos. Assiste-nos a dúvida do que é que de novo nos irá trazer este próximo escrutínio!
A última experiência trouxe-nos uma geringonça, que apesar de toda a legitimidade democrática, foi responsável por tudo o que de bom e mau aconteceu nesta última legislatura. Devo confessar que no meu entender, o mau foi muito mais do que o bom. Esta geringonça herdou o país, liberto das enormes exigências impostas pela Troika, numa conjuntura internacional excepcionalmente favorável (preço dos combustíveis, receita do turismo e aumento das exportações) e sem uma oposição credível e actuante, conseguiu devolver os rendimentos e assim, animar a economia. Mas também é bom não esquecer o que de muito mau aconteceu nos últimos quatro anos, e que me vou dispensar de enumerar. Com um arranjo entre forças políticas, que em muitas áreas defendiam princípios opostos, lá se foram aguentando, com cedências de parte a parte, porque a tal cadeira do poder é muito apetecível, para todos, sem excepção.
Entretanto, assistimos a um imobilismo total, e á ineficácia do papel dos partidos da o posição no domínio parlamentar, que permitiu à geringonça lá ir funcionando, sem muita resistência.
Vamos ser chamados uma vez mais a cumprir o nosso dever de eleitor e devemos estar muito conscientes daquilo que vamos querer. Mas devemos ter uma convicção ainda maior, sobre aquilo que não queremos para o nosso país.
É este o meu estado de espírito neste momento crucial quanto à minha decisão. Apesar de uma enorme pulverização de partidos concorrentes (21), há partidos onde eu nunca votaria por questões meramente ideológicas: o BE, o PNR e o Chega. Existem outros, onde eu nunca votaria pela salvaguarda da minha sanidade intelectual: o PAN e o RIR. Depois existe uma miríade de pequenos partidos, e que apesar das boas intenções dos discursos, não se percebe como seria possível a implementação e sustentação das suas políticas.
Apesar de, conceptualmente o voto em branco fazer algum sentido, por questões de ordem prática desta vez vou fazer a minha escolha, com uma única preocupação, evitar que alguns acontecimentos não voltem para ensombrar as virtudes do sistema democrático. Estou a referir-me concretamente a fenómenos com a corrupção, o compadrio o nepotismo, e a incompetência, que atingiram níveis inimagináveis e inadmissíveis. Será que vamos querer mais do mesmo?
Não me esqueço também, que está iminente um período muito adverso para uma economia frágil e exposta como a nossa. A desaceleração das economias dos países do norte da Europa – nossos principais parceiros comerciais, o Brexit uma eventual crise petrolífera, não seja suficiente as contas certas (?) da geringonça, e o aparente optimismo dos discursos.
Os resultados das sondagens vão ditando os discursos de campanha, em que cada um tenta expor as fraquezas do outro, e com muitas promessas inconsistentes. Uma campanha onde se gastam milhões e onde temos a convicção de pouco esclarecimento. Resta-nos sempre a escolha do mal menor. Com uma oferta alargada, que essa escolha possa trazer uma lufada de ar fresco a esta previsível resultado eleitoral que as sondagens diariamente nos vão iludindo. Esta opção poderia trazer uma também mais alargada representação parlamentar, dificultando a tentação da formação de outras geringonças, contra-natura.
Qualquer que seja a escolha ela será boa, desde que feita em consciência por valores e princípios patrióticos, muito esquecidos e desvalorizados nos dias de hoje. No próximo dia 6, ficar em casa é que NUNCA

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