Confesso que há muito tenho
adoptado a opção do voto em branco, por não encontrar na oferta partidária um
discurso sério e coerente, e que satisfaçam os princípios e valores porque
oriento todas as opções no exercício da minha cidadania. Constato que os
chamados, partidos do arco da governação (PS, PSD e CDS), se limitaram a gerir
fundos e a resolver a vidinha deles e dos seus, nos últimos quarenta e tal
anos.
Aproxima-se um outro um novo acto
eleitoral, em que todos nós vamos ser chamados a escolher (?) quem escolhe são
os partidos, os novos eleitos, para os sentarmos confortavelmente na cadeira do
poder, por mais quatro anos. Assiste-nos a dúvida do que é que de novo nos irá
trazer este próximo escrutínio!
A última experiência trouxe-nos
uma geringonça, que apesar de toda a legitimidade democrática, foi
responsável por tudo o que de bom e mau aconteceu nesta última legislatura.
Devo confessar que no meu entender, o mau foi muito mais do que o bom. Esta
geringonça herdou o país, liberto das enormes exigências impostas pela Troika, numa
conjuntura internacional excepcionalmente favorável (preço dos combustíveis,
receita do turismo e aumento das exportações) e sem uma oposição credível e actuante,
conseguiu devolver os rendimentos e assim, animar a economia. Mas também é bom
não esquecer o que de muito mau aconteceu nos últimos quatro anos, e que me vou
dispensar de enumerar. Com um arranjo entre forças políticas, que em muitas
áreas defendiam princípios opostos, lá se foram aguentando, com cedências de
parte a parte, porque a tal cadeira do poder é muito apetecível, para todos,
sem excepção.
Entretanto, assistimos a um
imobilismo total, e á ineficácia do papel dos partidos da o posição no domínio
parlamentar, que permitiu à geringonça lá ir funcionando, sem muita resistência.
Vamos ser chamados uma vez mais a
cumprir o nosso dever de eleitor e devemos estar muito conscientes daquilo que
vamos querer. Mas devemos ter uma convicção ainda maior, sobre aquilo que não
queremos para o nosso país.
É este o meu estado de espírito
neste momento crucial quanto à minha decisão. Apesar de uma enorme pulverização
de partidos concorrentes (21), há partidos onde eu nunca votaria por questões
meramente ideológicas: o BE, o PNR e o Chega. Existem outros, onde eu nunca
votaria pela salvaguarda da minha sanidade intelectual: o PAN e o RIR. Depois
existe uma miríade de pequenos partidos, e que apesar das boas intenções dos
discursos, não se percebe como seria possível a implementação e sustentação das
suas políticas.
Apesar de, conceptualmente o voto
em branco fazer algum sentido, por questões de ordem prática desta vez vou
fazer a minha escolha, com uma única preocupação, evitar que alguns
acontecimentos não voltem para ensombrar as virtudes do sistema democrático.
Estou a referir-me concretamente a fenómenos com a corrupção, o compadrio o
nepotismo, e a incompetência, que atingiram níveis inimagináveis e inadmissíveis.
Será que vamos querer mais do mesmo?
Não me esqueço também, que está
iminente um período muito adverso para uma economia frágil e exposta como a
nossa. A desaceleração das economias dos países do norte da Europa – nossos principais
parceiros comerciais, o Brexit uma eventual crise petrolífera, não seja
suficiente as contas certas (?) da geringonça, e o aparente optimismo dos
discursos.
Os resultados das sondagens vão
ditando os discursos de campanha, em que cada um tenta expor as fraquezas do
outro, e com muitas promessas inconsistentes. Uma campanha onde se gastam
milhões e onde temos a convicção de pouco esclarecimento. Resta-nos sempre a
escolha do mal menor. Com uma oferta alargada, que essa escolha possa trazer
uma lufada de ar fresco a esta previsível resultado eleitoral que as sondagens
diariamente nos vão iludindo. Esta opção poderia trazer uma também mais alargada
representação parlamentar, dificultando a tentação da formação de outras
geringonças, contra-natura.
Qualquer que seja a escolha ela
será boa, desde que feita em consciência por valores e princípios patrióticos,
muito esquecidos e desvalorizados nos dias de hoje. No próximo dia 6, ficar em
casa é que NUNCA
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