Terminadas que estão as eleições
legislativas e, por estar convencido que foram das mais importantes para a
consolidação da nossa Democracia, tenho que dar atenção ao que diz o Joaquim
Aguiar, “o povo tem sempre razão, mesmo quando não sabe a razão que tem”.
Este foi o resultado que os
portugueses escolheram, e temos mais que o aceitar, mesmo quando considerarmos,
que isso não seja o melhor para o nosso viver colectivo. É esta uma condição do
sistema em que vivemos. Tudo isto vem a propósito de uma série de comentários
que produzi, com vista a sensibilizar os que lêem os meus escritos, para os
perigos que uma maioria absoluta do PS poderia representar, numa perspectiva muito
pessoal. Por outro lado, estimulei sempre que o votar seria muito importante, para
evitar que uma abstenção elevada, determina um alta de representatividade dos
eleitos. Ou seja, vamos ter um executivo eleito com toda a legitimidade, mas
com uma representatividade de apenas por pouco mais de 50% dos eleitores, o que
é pena. De evidenciar, o aparecimento de novos partidos, o que vem trazer
alguma juventude, ideias novas e, a pulverização daquilo que alguns estabelecem
como a dicotomia entre a esquerda e a direita.
Escrevi e publiquei uma série de
desabafos, no exercício de um direito que me assiste enquanto cidadão, convicto
da razão que tenho, e no uso de um pleno direito de cidadania. Estes
tiveram a simples finalidade de chamar a atenção dos riscos, em meu fraco
entender, de uma maioria absoluta e, muito especialmente, do PS, considerando
os tempos difíceis que se aproximam. Dispenso-me de enumerar a extensa série de
objecções que suportavam este receio, por elas terem sido largamente
consideradas nos meus desabafos. Tentei sempre utilizar uma linguagem muito
objectiva, mas sem insultar quem quer que seja. Alguns comentários que recebi,
nem sempre foram feitos da forma mais correcta e educada, mas isso é algo que
quem se expõe, tem que aceitar. Estes eram mais contra a forma do que quanto ao
conteúdo, especialmente ao tema abordado. O contraditório existe, e deve ser
respeitado por todos, porque todos têm a sua razão.
Por uma questão de consciência, e
por entender que um sistema democrático, apesar das suas imensas lacunas, ainda
representa a melhor, e mais justa forna de vida em sociedade, tinha que deixar
claro esta minha forma de intervenção. Esta convicção e o resultado eleitoral,
não muda nada a minha forma de pensar relativamente a tudo quanto escrevi.
Vamos ter um governo que, sem a tal maioria, vai fazer os seus arranjos, para
sobreviver politicamente a algumas nuvens cinzentas que pairam no horizonte.
Apesar das mais prováveis
alianças que podem viabilizar o futuro governo não serem do meu agrado, temos
que aceitar toda a legitimidade das opções que António Costa decidir tomar.
Vou, democraticamente, aceitar o governo que irá ser formado. Isso em nada irá
mudar a minha opinião sobre os temas que anteriormente me bati. Sempre que
aqueles valores foram beliscados, irei emitir a minha preocupação, ou negação.
Este é um direito que me assiste e do qual não irei abdicar. Nestas
circunstâncias, estou receptivo a todas as críticas e opiniões. Gostava que
essas opiniões fossem feitas com elevação, com respeito por quem pensa de forma
diferente, e que sejam sempre os factos abordados o objecto da discussão, e
nunca as questões conjunturais ou circunstanciais, que invariavelmente
constituem a argumentação. Que o tempo me venha convencer de que estive e estou
errado, são os meus mais profundos votos.
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