segunda-feira, 7 de outubro de 2019

POR UMA QUESTÃO E CONSCIÊNCIA


Terminadas que estão as eleições legislativas e, por estar convencido que foram das mais importantes para a consolidação da nossa Democracia, tenho que dar atenção ao que diz o Joaquim Aguiar, “o povo tem sempre razão, mesmo quando não sabe a razão que tem”.
Este foi o resultado que os portugueses escolheram, e temos mais que o aceitar, mesmo quando considerarmos, que isso não seja o melhor para o nosso viver colectivo. É esta uma condição do sistema em que vivemos. Tudo isto vem a propósito de uma série de comentários que produzi, com vista a sensibilizar os que lêem os meus escritos, para os perigos que uma maioria absoluta do PS poderia representar, numa perspectiva muito pessoal. Por outro lado, estimulei sempre que o votar seria muito importante, para evitar que uma abstenção elevada, determina um alta de representatividade dos eleitos. Ou seja, vamos ter um executivo eleito com toda a legitimidade, mas com uma representatividade de apenas por pouco mais de 50% dos eleitores, o que é pena. De evidenciar, o aparecimento de novos partidos, o que vem trazer alguma juventude, ideias novas e, a pulverização daquilo que alguns estabelecem como a dicotomia entre a esquerda e a direita.
Escrevi e publiquei uma série de desabafos, no exercício de um direito que me assiste enquanto cidadão, convicto da razão que tenho, e no uso de um pleno direito de cidadania. Estes tiveram a simples finalidade de chamar a atenção dos riscos, em meu fraco entender, de uma maioria absoluta e, muito especialmente, do PS, considerando os tempos difíceis que se aproximam. Dispenso-me de enumerar a extensa série de objecções que suportavam este receio, por elas terem sido largamente consideradas nos meus desabafos. Tentei sempre utilizar uma linguagem muito objectiva, mas sem insultar quem quer que seja. Alguns comentários que recebi, nem sempre foram feitos da forma mais correcta e educada, mas isso é algo que quem se expõe, tem que aceitar. Estes eram mais contra a forma do que quanto ao conteúdo, especialmente ao tema abordado. O contraditório existe, e deve ser respeitado por todos, porque todos têm a sua razão.
Por uma questão de consciência, e por entender que um sistema democrático, apesar das suas imensas lacunas, ainda representa a melhor, e mais justa forna de vida em sociedade, tinha que deixar claro esta minha forma de intervenção. Esta convicção e o resultado eleitoral, não muda nada a minha forma de pensar relativamente a tudo quanto escrevi. Vamos ter um governo que, sem a tal maioria, vai fazer os seus arranjos, para sobreviver politicamente a algumas nuvens cinzentas que pairam no horizonte.
Apesar das mais prováveis alianças que podem viabilizar o futuro governo não serem do meu agrado, temos que aceitar toda a legitimidade das opções que António Costa decidir tomar. Vou, democraticamente, aceitar o governo que irá ser formado. Isso em nada irá mudar a minha opinião sobre os temas que anteriormente me bati. Sempre que aqueles valores foram beliscados, irei emitir a minha preocupação, ou negação. Este é um direito que me assiste e do qual não irei abdicar. Nestas circunstâncias, estou receptivo a todas as críticas e opiniões. Gostava que essas opiniões fossem feitas com elevação, com respeito por quem pensa de forma diferente, e que sejam sempre os factos abordados o objecto da discussão, e nunca as questões conjunturais ou circunstanciais, que invariavelmente constituem a argumentação. Que o tempo me venha convencer de que estive e estou errado, são os meus mais profundos votos.

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